Após 38 dias internado no Hospital Gemelli, em Roma, o Papa Francisco recebeu alta neste sábado e não escondeu a emoção ao reencontrar os fiéis. Do quinto andar da instituição, e não do décimo onde esteve internado, o Pontífice fez sua primeira saudação aos romanos e turistas que o aguardavam. Com um semblante sereno e um gesto de "joia" com o polegar em riste, Francisco disse poucas palavras, mas repletas de significado: "Obrigado a todos!".
Entre a multidão, o Papa reconheceu Carmela, uma senhora que costuma levar flores a ele durante as Audiências Gerais das quartas-feiras. "E vejo essa senhora com as flores amarelas. É uma boa pessoa", comentou, reforçando sua proximidade com os fiéis.
Os médicos Sergio Alfieri e Luigi Carbone, que acompanharam a recuperação do Papa, alertaram que ele perdeu peso durante a internação, mas destacaram que sua recuperação foi satisfatória.
Visita à Basílica
Ao deixar o hospital, Francisco seguiu para a Casa Santa Marta, sua residência no Vaticano. No caminho, fez uma parada na Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante do ícone da Salus Populi Romani, expressando sua gratidão pela recuperação.
Ainda no domingo, durante a oração do Angelus, o Pontífice refletiu sobre a paciência divina, inspirando-se na passagem bíblica da figueira estéril (Lc 13,9). “Esse agricultor paciente é o Senhor, que trabalha com zelo o terreno de nossa vida e aguarda confiante o nosso retorno a Ele”, afirmou.
Francisco também fez uma associação com sua própria experiência: "Neste longo período de recuperação, tive a oportunidade de experimentar a paciência do Senhor, que vejo também refletida na dedicação incansável dos médicos e profissionais da saúde, assim como nos cuidados e esperanças dos familiares dos doentes".
Apelo pela paz
O discurso do Papa também abordou questões urgentes da atualidade, principalmente os conflitos armados. Ele lamentou o agravamento da situação na Faixa de Gaza e fez um forte apelo pelo fim da violência.
"Entristece-me a retomada dos pesados bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, com tantas mortes e feridos. Peço que as armas se calem imediatamente e que se tenha a coragem de retomar o diálogo, para que todos os reféns sejam libertados e se alcance um cessar-fogo definitivo", disse.
O Pontífice celebrou, por outro lado, o avanço nas negociações de paz entre Armênia e Azerbaijão, expressando esperança de que o acordo seja assinado em breve.
Francisco encerrou sua mensagem com um pedido de orações para diversas regiões do mundo que sofrem com conflitos, incluindo Ucrânia, Palestina, Israel, Líbano, Mianmar, Sudão e República Democrática do Congo.
"Com tanta paciência e perseverança, vocês continuam a rezar por mim: agradeço-lhes muito! Eu também rezo por vocês. E juntos imploramos pelo fim das guerras e pela paz", finalizou.