Brasília foi palco, nesta semana, do Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, reunindo gestores municipais de todo o país para debater desafios e oportunidades no desenvolvimento de cidades localizadas na faixa de fronteira. A discussão girou em torno da necessidade de investimentos e de uma política pública mais robusta para essas regiões, historicamente tratadas sob a ótica da segurança nacional e não do crescimento econômico.
Com cerca de 11 milhões de habitantes, as cidades na faixa de fronteira representam 16% do território brasileiro, abrangendo uma faixa de 150 quilômetros a partir da linha divisória com os dez países sul-americanos vizinhos. No encontro, representantes do governo federal e prefeitos de diversas localidades debateram iniciativas que fortaleçam a cooperação com municípios estrangeiros vizinhos.
O prefeito de Bagé (RS), Luiz Fernando Mainardi (PT), ressaltou a necessidade de uma mudança na forma como essas cidades são vistas dentro das políticas públicas nacionais. “Nós temos um conjunto de exigências de investimentos e de compensações porque, ao longo da nossa história, fomos pensados para a segurança nacional, não do ponto de vista do desenvolvimento. Isso reflete diretamente nos índices de desenvolvimento humano e nos níveis de emprego, que são historicamente mais baixos se comparados a outras regiões”, afirmou à Agência Brasil
Atualmente, o Brasil conta com 124 municípios conectados diretamente a outras nações, sendo 33 deles considerados “cidades-gêmeas”, caracterizadas por uma integração intensa com cidades estrangeiras vizinhas. O encontro também abordou estratégias para fortalecer essas relações, melhorando a infraestrutura, o fluxo de comércio e a mobilidade entre os países.
Entre as propostas discutidas, destacam-se iniciativas para impulsionar a economia local, garantir maior segurança e implementar ações conjuntas na área da educação e saúde. A expectativa é que as demandas levantadas no evento sirvam como base para a formulação de novos programas federais voltados às cidades fronteiriças, promovendo um desenvolvimento mais equitativo e integrado para essas regiões estratégicas.