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A inadimplência das famílias nas operações de crédito livre atingiu 8,1% em setembro, renovando o recorde da série histórica. O resultado representa alta de 0,1 ponto percentual sobre agosto e de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025, conforme dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (29).
O indicador considera a parcela da carteira com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Não significa, portanto, que 8,1% das famílias brasileiras estejam inadimplentes, mas que esse percentual do crédito analisado apresenta atraso superior ao prazo.
O crédito livre reúne operações cujas condições são negociadas entre instituições financeiras e clientes. Nesse segmento, os juros médios cobrados das pessoas físicas chegaram a 62,4% ao ano em setembro.
O endividamento das famílias alcançou 50,1% em agosto, com aumento de 0,2 ponto percentual sobre julho. Esse indicador compara o saldo das dívidas com a renda acumulada em 12 meses.
Já o comprometimento da renda com juros e amortizações chegou a 29%, também em agosto. A medida representa a parcela da renda destinada ao pagamento das obrigações financeiras, sendo diferente do estoque total de endividamento.
Os períodos de referência precisam ser observados: os dados de inadimplência e juros são de setembro, enquanto os indicadores de endividamento e comprometimento da renda se referem a agosto.
Na carteira total do Sistema Financeiro Nacional, que reúne crédito livre e direcionado, a inadimplência ficou estável em 5%. Considerando somente as pessoas físicas, mas incluindo as duas modalidades, o índice permaneceu em 6%.
No crédito livre, os 6,6% correspondem à inadimplência conjunta de pessoas físicas e jurídicas. Entre as empresas, o percentual foi de 4,2%, com redução de 0,1 ponto percentual no mês. Já nas operações direcionadas às famílias, a inadimplência caiu para 3,4%.
O crédito direcionado segue regras específicas e inclui operações como financiamentos habitacionais e rurais. Por reunir contratos com características diferentes, seus resultados não devem ser confundidos com os do crédito livre.
A taxa média das novas contratações de crédito, considerando pessoas físicas e jurídicas e diferentes modalidades, ficou em 32,4% ao ano em setembro. No crédito livre às empresas, a média alcançou 24,4% ao ano.
O estoque total de crédito bancário cresceu 0,4% na comparação com agosto, segundo o Banco Central.
Em paralelo, o governo federal prepara uma nova versão do Desenrola. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a proposta envolve a compra de dívidas antigas das famílias com bancos e uma estimativa de R$ 90 bilhões em negociações. A iniciativa ainda está em estruturação.