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Inadimplência cresce nos maiores bancos e acende alerta sobre crédito

Banco do Brasil registra a maior deterioração no segundo trimestre, enquanto Santander, Bradesco e Itaú também apresentam avanço nos atrasos acima de 90 dias

Por: João Livi
27/08/2026 às 08h59
Inadimplência cresce nos maiores bancos e acende alerta sobre crédito
A inadimplência acima de 90 dias aumentou nos quatro maiores bancos de varejo do país no segundo trimestre de 2026, com maior deterioração registrada pelo Banco do Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os quatro maiores bancos de varejo do Brasil encerraram o segundo trimestre de 2026 com aumento da inadimplência na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números mostram uma deterioração da capacidade de pagamento de famílias e empresas em um ambiente ainda marcado pelo elevado custo do crédito.

O movimento atingiu Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Itaú Unibanco. O indicador considerado compara os empréstimos com atraso superior a 90 dias com o total da carteira de crédito de cada instituição.

Entre os quatro bancos, a situação mais acentuada foi registrada pelo Banco do Brasil. A inadimplência total passou de 4% no segundo trimestre de 2025 para 5,6% no mesmo período deste ano - aumento de 1,6 ponto percentual.

Banco do Brasil concentra maior avanço

Na carteira destinada às pessoas físicas, a deterioração foi ainda maior. A taxa de inadimplência do Banco do Brasil avançou de 5,6% para 8,4% em 12 meses. Somente entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, o indicador passou de 6,8% para 8,4%.

Parte da pressão está relacionada ao agronegócio, segmento no qual a instituição possui forte presença. Dados do Banco Central apontaram que a inadimplência do crédito rural destinado a pessoas físicas chegou a 7,4% em fevereiro, ante 2,9% um ano antes.

Diante do aumento do risco, o Banco do Brasil ampliou provisões destinadas à cobertura de eventuais perdas e tornou mais rigorosas as condições para novas concessões de crédito rural, incluindo maior exigência de garantias.

Alta também alcança bancos privados

Embora em proporções menores, Santander, Bradesco e Itaú também apresentaram aumento dos atrasos superiores a 90 dias.

No Santander, a inadimplência total passou de 2,6% para 3,3% entre o segundo trimestre de 2025 e igual período de 2026. No Bradesco, avançou de 4,1% para 4,4%. O Itaú apresentou a menor oscilação, de 2% para 2,1%.

O comportamento semelhante entre as quatro instituições amplia o sinal de atenção. Em vez de uma deterioração restrita a determinada carteira de crédito, os números apontam para uma pressão mais disseminada sobre os tomadores de recursos.

Empresas também enfrentam dificuldades

O cenário empresarial acompanha essa tendência. Dados da Serasa Experian indicam que 2025 terminou com 2.466 empresas envolvidas em processos de recuperação judicial, maior número da série histórica. Durante o ano, foram registrados 977 pedidos de recuperação judicial.

A agropecuária respondeu por 30,1% desses pedidos, participação bastante superior aos 1,3% registrados em 2012.

Outro indicador ajuda a dimensionar a situação. Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de CNPJs estavam negativados no país, com dívida média superior a R$ 23 mil por empresa.

Juros mantêm pressão sobre devedores

Um dos componentes centrais desse cenário é a permanência dos juros em patamar elevado. Mesmo com quatro reduções consecutivas promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic chegou a agosto em 14% ao ano.

Como o impacto das taxas de juros sobre a inadimplência ocorre com defasagem, famílias e empresas ainda carregam compromissos financeiros assumidos durante um período prolongado de crédito caro.

Os efeitos também chegaram a companhias de grande porte. Raízen e GPA recorreram a processos de recuperação extrajudicial em meio às dificuldades financeiras. A Raízen apresentou um plano envolvendo aproximadamente R$ 65,4 bilhões em dívidas, enquanto o GPA negocia a reestruturação de cerca de R$ 4,5 bilhões.

Para bancos, empresas e investidores, os indicadores reforçam um cenário de maior seletividade na concessão e na tomada de crédito. A velocidade de eventual melhora dependerá, entre outros fatores, da trajetória dos juros e da capacidade de recuperação financeira de famílias, produtores rurais e empresas nos próximos trimestres.

 

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