
O Paraná voltou a transformar o Show Rural em palco de inovação agrícola. Nesta quinta-feira (12), o Governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, lançou novos cultivares de mandioca e milho durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel. As variedades foram desenvolvidas para enfrentar desafios sanitários, elevar a produtividade e ampliar a rentabilidade do produtor, com foco direto na industrialização e no fortalecimento das cadeias agroindustriais.
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, destacou a tradição do Estado em apresentar inovações no evento. "Dificilmente tem um Show Rural que não tenha o lançamento de uma variedade de mandioca, um cultivar de milho. O Paraná, por meio do nosso IDR, faz um trabalho muito forte com pesquisa. Mais uma vez estamos lançando produtos interessantes nessa feira, que é uma grande vitrine de oportunidades e tendências do Paraná para todo o Brasil", afirmou.
O diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, reforçou o papel estratégico da pesquisa pública. "O nosso compromisso é entregar ao produtor soluções concretas, que aumentem a produtividade e tragam mais segurança diante dos desafios do campo. Esses materiais são resultado de pesquisa aplicada e chegam para fortalecer a renda e a agroindústria do Paraná", declarou.
Na cultura da mandioca, três novos materiais voltados exclusivamente à indústria foram apresentados: IPR Clara, IPR Quartzo e IPR Topázio. Desenvolvidas para produção de farinha, fécula e derivados, as variedades apresentam alto teor de amido - entre 550 e 600 gramas - e desempenho superior aos materiais disponíveis atualmente.
O assistente técnico do IDR-Paraná em Paranavaí, Renan Thiago Lunas, explicou que os cultivares passaram por testes comparativos rigorosos antes do lançamento. "Todos os materiais lançados são testados com as melhores variedades que já estão em campo. Para serem lançados, eles já apresentam um potencial superior. São materiais de excelente qualidade e mais uma opção para o produtor melhorar a produtividade", disse.
O ganho produtivo é um dos principais diferenciais. A expectativa é de aumento médio de 30% na produtividade, podendo representar até 30 toneladas a mais por hectare. "São variedades que também apresentam diferentes níveis de tolerância a pragas e doenças, o que ajuda o produtor a diversificar a lavoura e reduzir riscos", acrescentou Lunas.
Cada cultivar atende a perfis específicos de solo e manejo. A IPR Clara possui raízes mais claras e porte médio, indicada para solos arenosos. A IPR Quartzo apresenta estrutura mais robusta, adaptada a solos argilosos. Já a IPR Topázio tem porte mais baixo e ereto, também recomendada para áreas arenosas. Todas possuem alto teor de ácido cianídrico e são destinadas exclusivamente à indústria, não ao consumo in natura.
Na área do milho, o destaque foi o híbrido simples IPR W225, milho branco desenvolvido para enfrentar o complexo de enfezamento, doença associada ao ataque da cigarrinha. O novo material substituirá gradualmente o IPR 127, presente no mercado há mais de uma década, mas suscetível ao problema.
O coordenador da Estação de Pesquisa de Santa Helena do IDR-Paraná, Dionathan William Lujan, explicou que o novo cultivar alia tolerância à doença e maior teto produtivo. "O IPR W225 foi desenvolvido para superar os desafios do complexo de enfezamento. Ele apresenta tolerância ao problema e potencial produtivo superior ao IPR 127, que será descontinuado assim que tivermos volume suficiente para comercialização", detalhou.
Voltado à industrialização, o milho branco é indicado para produção de farinha, amido, fubá e canjica. O diferencial está também no valor agregado. "Enquanto o milho amarelo é comercializado em torno de 50 a 55 reais a saca, o milho branco para industrialização pode chegar a 120 ou 130 reais a saca de 60 quilos. Ele agrega mais valor à produção", destacou Lujan.
As sementes do IPR W225 já estão em processo de multiplicação por parceiros credenciados e devem estar disponíveis para a próxima safra, a partir de setembro.
Durante o lançamento, Márcio Nunes prestou homenagem à pesquisadora Vânia Cirino pelo Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado no dia 11. Integrante da cadeira 68 da Academia Brasileira de Ciência Agronômica, Vânia é responsável técnica pelo desenvolvimento de mais de 38 cultivares de feijão no IDR-Paraná.
Os materiais contribuíram para ampliar a produção e a renda em pequenas propriedades rurais, fortalecer a segurança alimentar e consolidar o Paraná como líder nacional na cultura, com mais de 450 mil hectares por safra e cerca de 750 mil toneladas produzidas.
O lançamento reforça o papel da pesquisa pública como ferramenta estratégica para manter a competitividade do agronegócio paranaense diante dos desafios sanitários e de mercado.