
Produtores rurais do Paraná passam a contar com uma nova aliada no enfrentamento à cigarrinha-do-milho. Lançada durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, a plataforma CigarrinhaWeb centraliza informações sobre o monitoramento do inseto transmissor do complexo de enfezamentos - conjunto de doenças que compromete a produtividade, reduz a qualidade dos grãos e pode provocar o tombamento das plantas.
A ferramenta disponibiliza um panorama atualizado da presença e da densidade populacional da praga nas diferentes regiões do Estado. Com base nesses dados, produtores e técnicos poderão ajustar estratégias de manejo e controle de forma mais precisa e econômica.
O sistema apresenta um mapa interativo com a localização das armadilhas adesivas instaladas no Paraná e o número de insetos capturados em cada ponto, com atualizações semanais. Além disso, armazena séries históricas, criando uma base consistente para análises futuras.
A iniciativa é resultado da atuação da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho (Rede CEM), que reúne o Sistema Faep, a Fundação Araucária, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes, destacou que a plataforma representa um avanço prático para o campo, ao oferecer informação confiável para decisões técnicas.
A preocupação é justificada pelos números. Estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em parceria com a Embrapa e a Epagri, aponta que, entre as safras 2020/21 e 2023/24, os prejuízos causados pela cigarrinha chegaram a US$ 25,8 bilhões no país. A perda média anual foi de 31,8 milhões de toneladas de milho, equivalente a 22,7% da produção nacional.
Somente em 2024, os gastos com defensivos para controle da praga somaram US$ 76 milhões. A expectativa é que, com informações mais precisas, parte desses custos possa ser reduzida por meio de manejo mais eficiente.
Embora o uso de armadilhas adesivas para monitoramento seja prática consolidada, o Paraná se torna referência ao integrar e disponibilizar publicamente os dados em uma plataforma digital interativa. A medida fortalece a transparência e amplia o acesso às informações estratégicas.
O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressaltou que o combate à cigarrinha é uma questão de segurança produtiva e econômica, e que o acesso a dados atualizados contribui diretamente para proteger a produção.
A iniciativa reforça a posição do Paraná como protagonista em soluções tecnológicas aplicadas à defesa fitossanitária, ampliando a capacidade de resposta diante de uma das principais ameaças à cultura do milho no Brasil.