
A inflação em Curitiba e na Região Metropolitana terminou 2025 em um patamar mais controlado do que a média nacional. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,84% na região, enquanto o índice nacional fechou o ano em 4,26%. O resultado regional ficou abaixo do teto da meta de inflação, estabelecido em 4,50%, e sinaliza um cenário de maior equilíbrio ao longo do ano passado.
O desempenho reflete, sobretudo, o recuo expressivo nos preços de alimentos básicos, que ajudou a compensar altas pontuais em produtos industrializados e serviços, além de um comportamento mais moderado do consumo diante do ambiente de juros elevados.
Na análise mensal, o grupo Despesas Pessoais foi o principal responsável pelas pressões inflacionárias, com avanço de 1,21%. O movimento esteve ligado, principalmente, a serviços associados ao lazer e ao turismo, como hospedagem, cinema, teatro e pacotes turísticos, influenciados pela sazonalidade típica do período de fim de ano.
Mesmo com esses aumentos, o impacto foi insuficiente para elevar o índice regional acima da média nacional, devido ao alívio observado em itens essenciais do orçamento doméstico.
No acumulado de 2025, os maiores aumentos de preços em Curitiba e Região Metropolitana foram registrados em alimentos industrializados e bebidas. Café moído e chocolates lideraram as altas do ano, enquanto alguns produtos in natura, como mamão e cenoura, também apresentaram elevações relevantes.
Por outro lado, alimentos básicos tiveram papel decisivo na desaceleração da inflação regional. Itens como feijão preto, arroz e o grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas registraram quedas significativas, além da redução nos preços do azeite de oliva e do leite longa vida. Essas retrações ajudaram a aliviar o custo da cesta básica e a conter o avanço do índice.
O último mês do ano evidenciou uma diferença clara entre o cenário local e o nacional. Enquanto o IPCA brasileiro subiu 0,33% em dezembro, Curitiba e Região Metropolitana registraram leve deflação de 0,02%.
Passagens aéreas e tarifas de transporte público figuraram entre as maiores altas do mês na região, ao lado de alguns alimentos frescos. Em contrapartida, frutas e hortaliças apresentaram quedas expressivas, como pepino, manga, alface, melancia e tomate, reforçando o movimento de desaceleração.
Para 2026, a expectativa é de um ambiente inflacionário mais equilibrado, ainda que com desafios. A tendência é de inflação mais próxima do centro da meta, condicionada à manutenção de uma política monetária restritiva, ao comportamento do mercado de trabalho e a fatores climáticos que impactam a produção de alimentos.
O cenário aponta para uma desaceleração gradual, com maior previsibilidade, mas ainda exigindo cautela de consumidores e empresas diante de possíveis oscilações ao longo do ano.