A Itaipu Binacional deu um passo adiante na busca por soluções sustentáveis ao autorizar, nesta quinta-feira (13), o início da instalação de uma usina solar flutuante em seu reservatório. O projeto inédito, que ocupará entre 7 e 10 mil metros quadrados da lâmina d’água no lado paraguaio da usina, deve receber cerca de dois mil painéis fotovoltaicos. A expectativa é de que a instalação esteja concluída em 150 dias, com mais 180 dias dedicados à assistência técnica, treinamentos e ajustes finais.
A ordem de serviço foi formalizada pelos diretores-gerais da Itaipu, Enio Verri, pelo Brasil, e Justo Zacarias Irún, pelo Paraguai. Também participaram da assinatura os representantes do consórcio binacional Sunlution-Luxacril, Ediléu Cardoso Jr. e Sebastian Rojas, responsável pela execução do projeto, cujo valor acordado foi de US$ 854,5 mil, representando um deságio de 11,72% em relação ao estipulado no edital.
Com capacidade de 1 MWp (Megawatt-pico), o suficiente para atender aproximadamente 650 residências, a usina será utilizada para abastecer parcialmente os escritórios da própria Itaipu. Além disso, terá caráter experimental, com foco em pesquisas sobre a viabilidade técnica e os impactos ambientais de sistemas solares flutuantes. "A sacada desse projeto é aproveitar a estrutura de uma usina hidrelétrica para produzir energia solar. Estou convencido de que em poucos anos iremos oferecer essa energia para a sociedade", destacou Enio Verri, reforçando o compromisso da Binacional com a inclusão social por meio do fornecimento de energia elétrica.
O potencial para expansão é animador. De acordo com Ediléu Cardoso Jr., CEO do grupo KWP Energia/Sunlution, a ocupação de apenas 10% da lâmina d’água do reservatório permitiria a geração de 14 mil MW de potência instalada, equivalente à capacidade da própria hidrelétrica de Itaipu. "Esse é o primeiro projeto deste tipo no mundo conduzido por uma empresa binacional e marca o início de uma nova era para grandes sistemas de geração de energia", ressaltou Cardoso Jr.
Um dos grandes atrativos do sistema flutuante é a preservação ambiental. Segundo o engenheiro Márcio Massakiti, da Assessoria de Energias Renováveis do lado brasileiro, o modelo reduz a evaporação da água do reservatório e minimiza a formação de algas, contribuindo para a manutenção dos ecossistemas aquáticos. Além disso, evita a necessidade de desmatamento ou uso de áreas férteis para a implantação de estruturas solares terrestres.
"Estamos trazendo para Itaipu o que há de mais moderno em tecnologia de energia solar flutuante. Este projeto será referência para futuras decisões na área", concluiu Pedro Domaniczky, chefe da Assessoria de Energias Renováveis do lado paraguaio, reforçando o caráter inovador e estratégico da iniciativa.
Com a execução a cargo do consórcio Sunlution-Luxacril, que inclui obras civis, engenharia e comissionamento, a usina representa um marco na diversificação de fontes de geração de energia limpa e aponta o caminho para projetos semelhantes em outros reservatórios no Brasil e no Paraguai.
Veja o vídeo produzido pela Itaipu Binacional.