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CNI critica Selic em 13,75% e pede retomada dos cortes em dezembro

Entidade afirma que juros elevados pressionam o caixa das empresas e o orçamento familiar; Banco Central aponta incertezas e riscos inflacionários para justificar cautela

Por: João Livi Fonte: Agência CNI
05/11/2026 às 10h03
CNI critica Selic em 13,75% e pede retomada dos cortes em dezembro
Ricardo Alban, presidente da CNI, defende a retomada dos cortes da Selic e medidas para reduzir a pressão financeira sobre empresas e famílias. (Foto: Gilberto Sousa/CNI)

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Taxa Selic em 13,75% ao ano e defendeu a retomada dos cortes na reunião de dezembro. Para a entidade, o prolongamento dos juros elevados encarece o crédito e impõe custos excessivos às empresas e às famílias.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que há espaço para reduzir a taxa de forma compatível com o controle da inflação. Na visão dele, a piora das expectativas não justifica interromper o ciclo de redução dos juros.

“A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica”, afirmou Alban. A entidade considera a decisão excessivamente conservadora diante dos sinais de desaceleração da economia.

Empresas projetam pressão sobre financiamento e lucro

Em consulta realizada pela CNI em outubro, 51,9% dos empresários industriais disseram esperar maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos três meses seguintes. Outros 56,9% projetaram redução do lucro.

A entidade também cita resultados da Sondagem Industrial de setembro: os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023, enquanto a margem de lucro recebeu a pior avaliação desde a pandemia.

Segundo a análise da confederação, o crédito caro dificulta a contratação de capital de giro e desestimula investimentos. A CNI aponta ainda perda de ritmo no comércio e nos serviços, indicando que a pressão não se limita à indústria.

Endividamento das famílias integra a preocupação

No orçamento doméstico, a entidade destaca que o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29% em agosto, o maior patamar em 21 anos.

Já o endividamento das famílias alcançou 50,1% da renda acumulada em 12 meses. Os indicadores medem situações diferentes: o primeiro acompanha o peso dos pagamentos sobre a renda, enquanto o segundo relaciona o estoque de dívidas à renda do período.

Para a CNI, manter os juros elevados por mais tempo amplia as dificuldades de consumidores e empresas que já convivem com obrigações financeiras altas.

Entidade cobra resposta para o desequilíbrio fiscal

A confederação também defende um compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Em sua avaliação, a percepção de risco fiscal leva investidores a exigir retornos maiores, pressiona o câmbio e influencia as expectativas de inflação.

A CNI sustenta que problemas de origem fiscal precisam ser enfrentados com medidas nessa área. Para a instituição, concentrar o ajuste nos juros transfere parte do custo às atividades produtivas e às famílias.

Outro argumento apresentado é que a inflação esperada para o horizonte relevante da política monetária permanece dentro do intervalo de tolerância. A entidade cita uma estimativa de 4% atribuída à pesquisa Focus para esse horizonte, embora reconheça que o percentual continua acima do centro da meta, de 3%.

Copom aponta riscos de alta para os preços

No comunicado divulgado nesta quarta-feira (4), o Banco Central apresentou uma avaliação diferente. O Copom destacou aumento das incertezas, expectativas de inflação mais elevadas e riscos associados ao petróleo, ao câmbio, aos efeitos climáticos e à inflação de serviços.

A projeção do próprio comitê para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante, é de 3,5%. Esse número é distinto da estimativa de mercado mencionada pela CNI.

A manutenção da Selic foi aprovada por unanimidade. O colegiado não antecipou sua próxima decisão e informou que acompanhará o cenário para manter a restrição necessária à convergência da inflação à meta.

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