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Copom mantém Selic em 13,75% e projeta inflação de 5,6% para 2026

Comunicado aponta pressão do petróleo, riscos climáticos e expectativas mais distantes da meta, apesar da desaceleração da economia

Por: João Livi Fonte: Banco Central
05/11/2026 às 08h31
Copom mantém Selic em 13,75% e projeta inflação de 5,6% para 2026
Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano e apontou riscos de alta para a inflação em seu comunicado. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

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O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, nesta quarta-feira (4). No comunicado da decisão, o Banco Central apresentou projeção de inflação de 5,6% para 2026 e de 4,7% para 2027, em um cenário de aumento das incertezas e pressão sobre os preços.

Para o segundo trimestre de 2028, horizonte considerado relevante para a condução da política monetária, a estimativa do Copom subiu para 3,5%. O cálculo incorpora choques de oferta observados desde a reunião anterior e utiliza a trajetória dos juros prevista pela pesquisa Focus.

O colegiado não antecipou cortes nem aumentos para as próximas reuniões. Informou que acompanhará a evolução do cenário para manter o grau de restrição necessário à convergência da inflação à meta.

Inflação acelera enquanto atividade perde força

Segundo o Banco Central, os indicadores recentes mostram uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O mercado de trabalho permanece resistente, mas apresenta sinais de perda de ritmo.

Ao mesmo tempo, a inflação geral e a média das medidas que acompanham suas tendências subjacentes aceleraram e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

As expectativas das instituições consultadas na pesquisa Focus também se afastaram da meta, chegando a 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027. Esses números representam as projeções do mercado e são diferentes das estimativas elaboradas pelo próprio Copom.

Petróleo, câmbio e clima ampliam os riscos

No cenário internacional, o comitê destacou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, com pressão sobre petróleo e derivados, e a política monetária mais restritiva nas economias avançadas.

Entre os riscos internos e externos capazes de elevar a inflação, o comunicado cita efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia, persistência da inflação de serviços e uma taxa de câmbio mais depreciada por período prolongado.

O Copom também acompanha os efeitos da política fiscal sobre a economia e os ativos financeiros. Na direção contrária, uma desaceleração mais intensa da atividade, a perda de ritmo da economia mundial e a queda das commodities poderiam reduzir a pressão inflacionária.

Projeções do Banco Central

Indicador 2026 2027 2º trimestre de 2028*
IPCA 5,6% 4,7% 3,5%
Preços livres 5,5% 4,8% 3,4%
Preços administrados 6,0% 4,2% 3,9%

Variação acumulada em quatro trimestres.

Para construir esse cenário, o Banco Central adotou câmbio inicial de R$ 5,20 por dólar, com evolução conforme a metodologia utilizada nas projeções. O valor é uma hipótese de cálculo, não uma cotação atual nem uma previsão fixa para o encerramento do ano.

O cenário também considera bandeira tarifária verde na energia elétrica em dezembro de 2026 e de 2027. A decisão de manter os juros recebeu os votos dos sete integrantes do comitê, presidido por Gabriel Galípolo.

 

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