Terça, 04 de Agosto de 2026
17°C 26°C
Marechal Cândido Rondon, PR
Publicidade

Copagril defende inovação para fortalecer cadeia da proteína no Oeste

Presidente Eloi Darci Podkova destaca intercooperação, automação no campo e planejamento regional para tornar o Oeste referência em proteína e inovação até 2040

Por: João Livi
04/08/2026 às 12h21
Copagril defende inovação para fortalecer cadeia da proteína no Oeste
Presidente da Copagril, Eloi Darci Podkova, participou da reunião do POD em Marechal Cândido Rondon e defendeu inovação, intercooperação e planejamento para fortalecer a cadeia da proteína no Oeste.

A cadeia da proteína foi um dos temas abordados durante a reunião do POD, realizada na manhã desta terça-feira, dia 04 de agosto, na sede da Acimacar, em Marechal Cândido Rondon. O encontro reuniu lideranças para discutir estratégias de desenvolvimento regional, com foco no futuro econômico do Oeste do Paraná.

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o presidente da Copagril, Eloi Darci Podkova, destacou que a região possui vocação natural para a produção de alimentos, mas precisa avançar em inovação, modernização e agregação de valor.

Segundo ele, o Oeste tem uma base produtiva forte, formada por produtores que trabalham, enfrentam dificuldades e continuam buscando crescimento. Para transformar essa força em maior rentabilidade, a produção de grãos precisa ser integrada às cadeias de proteína animal.

Grãos viram proteína

Eloi explicou que milho e soja, principais matérias-primas produzidas na região, ganham maior valor quando são transformados em ração e, posteriormente, em proteína animal.

Esse processo sustenta cadeias como suinocultura, avicultura, leite, peixe e outras atividades pecuárias. A lógica, segundo ele, é transformar a produção agrícola em alimentos de maior valor agregado, como carne, leite e derivados destinados ao consumidor final.

Para o presidente da Copagril, a região já tem aptidão para esse modelo, mas precisa continuar inovando para atender mercados cada vez mais exigentes no Brasil e no exterior.

Intercooperação amplia escala

A Copagril participa de diferentes cadeias por meio da intercooperação. Entre os exemplos citados estão a parceria com a Lar na cadeia de frangos, com a Copacol na cadeia de peixes e a participação societária na Frimesa.

Eloi afirmou que os mercados mundiais exigem escala, e que nem sempre faz sentido cada cooperativa construir estruturas industriais separadas para fazer a mesma coisa.

Segundo ele, a união entre cooperativas permite ganhar força, ampliar a capacidade de produção, atender exigências internacionais e garantir melhores resultados aos associados.

Associado no centro da estratégia

Para Eloi, o principal objetivo da Copagril é assegurar que o associado tenha ganho dentro dessa relação produtiva. A cooperativa, conforme destacou, existe em função de seus cooperados.

A produção precisa gerar resultado positivo tanto para a Copagril, dentro das estruturas de intercooperação, quanto para os produtores que integram a base da cooperativa.

O presidente afirma que a visão estratégica da Copagril é produzir matéria-prima de qualidade, entregar para a indústria e contribuir para que essa indústria transforme o produto e o coloque nos mercados consumidores.

Futuro industrial não é descartado

Questionado sobre a possibilidade de a Copagril voltar, no futuro, a atuar diretamente em escala industrial na produção de proteína, Eloi afirmou que o momento atual não aponta para essa decisão, mas que nenhuma possibilidade deve ser descartada de forma definitiva.

Segundo ele, a cooperativa está bem servida nas parcerias atuais, mas pode refletir sobre novos caminhos conforme o mercado, a economia, a tecnologia e as demandas dos consumidores evoluam.

Para o presidente, há muitas oportunidades em torno da cadeia da proteína, mesmo sem participação direta em uma nova indústria. A Copagril pode contribuir com inovação, modernização, estruturas de apoio e soluções que fortaleçam produtores e parceiros industriais.

Campo como indústria a céu aberto

Eloi destacou que a viabilidade econômica dos produtores passa pela inovação no campo e nas granjas. Segundo ele, propriedades rurais precisam produzir mais e melhor no mesmo espaço, com genética, sanidade, tecnologia e manejo eficiente.

A ideia é transformar cada vez mais as propriedades em estruturas altamente produtivas, com processos organizados e visão empresarial.

Para isso, a cooperativa busca estimular o uso de tecnologias que melhorem produtividade, qualidade, sanidade e eficiência, tanto na área agrícola quanto na pecuária.

Automação será cada vez mais necessária

Um dos desafios apontados por Eloi é a falta de mão de obra nas propriedades rurais. Segundo ele, o problema já é percebido na região e também ocorre em países como Estados Unidos e na Europa.

Diante dessa realidade, a automação deve ganhar cada vez mais espaço nas granjas e propriedades. O objetivo não é substituir pessoas, mas viabilizar a produção diante da escassez de trabalhadores disponíveis para determinadas atividades.

Equipamentos, sistemas de manejo e novas tecnologias devem facilitar a rotina dos produtores e permitir que menos pessoas consigam produzir mais, com maior controle e eficiência.

Conectividade ainda é desafio

Ao comentar a integração com o Programa Oeste em Desenvolvimento, Eloi afirmou que o POD propõe uma visão estratégica até 2040, com o objetivo de tornar o Oeste líder na cadeia da proteína e também em inovação.

Segundo ele, muitas propriedades já possuem alto grau de automação, mas a conectividade ainda precisa melhorar para que a tecnologia possa ser plenamente utilizada no campo.

Além disso, a região precisa avançar em logística, enfrentar desafios tributários, acompanhar mudanças econômicas e lidar com fatores climáticos que interferem na produção.

Planejamento até 2040

Para o presidente da Copagril, o futuro parece distante, mas está “logo ali”. Por isso, a região precisa plantar agora ideias, projetos e estratégias que permitam chegar melhor preparada aos próximos anos.

Eloi defende que produtores, cooperativas, empresas, poder público, instituições e sociedade participem das discussões do POD. Segundo ele, o desenvolvimento regional é uma construção coletiva e depende de diferentes contribuições.

A Copagril, conforme afirmou, permanece aberta a debates, sugestões e iniciativas que ajudem a fortalecer a cadeia produtiva e a construir uma sociedade mais justa.

Região sabe produzir alimentos

Ao final, Eloi ressaltou que o Oeste do Paraná tem papel importante em um mundo que precisa de alimentos. Para ele, a região sabe produzir, mas precisa estar atenta ao que o consumidor nacional e internacional deseja.

O presidente afirmou que é necessário ouvir pessoas interessadas em construir soluções, sem interesses pessoais de poder, mas com visão voltada ao avanço da sociedade.

A reunião do POD em Marechal Cândido Rondon teve como proposta discutir caminhos estratégicos para o desenvolvimento regional, integrando lideranças, entidades, cooperativas, empresas e instituições.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários