
O Paraná passa a contar com a primeira cooperativa científica do Brasil voltada a reunir empresários e cientistas com o objetivo de transformar pesquisas acadêmicas em produtos e serviços para a sociedade. A Cooperativa de Ciência, Tecnologia e Negócios Inovadores (CTNI Coop) foi lançada nesta terça-feira, dia 9, no Palácio Iguaçu.
A iniciativa é coordenada pelo Instituto CTNI - Centro de Tecnologia, Negócios e Inovação -, com apoio da Fundação Araucária. O modelo busca integrar pesquisadores, empresários, executivos e especialistas das áreas financeira e jurídica em uma estrutura cooperativista direcionada à criação de negócios inovadores baseados em ciência.
O foco inicial da CTNI Coop será a bioeconomia, mas a proposta também prevê o desenvolvimento de soluções para setores estratégicos da economia paranaense, como água, energia e produção de alimentos, considerando a transformação digital e o desenvolvimento sustentável.
Durante o lançamento, o governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou que a cooperativa deve contribuir para transformar conhecimento em riqueza, ampliar oportunidades para pesquisadores e consolidar o Paraná como referência nacional em inovação.
“Já somos o estado que, per capita, mais investe em ciência e tecnologia no Brasil, e a ideia é que esse investimento retorne para a sociedade”, afirmou.
Segundo o governador, a proposta é aproximar o setor produtivo das universidades e, ao mesmo tempo, criar condições para que cientistas e pesquisadores estejam mais conectados às demandas das indústrias e de outros segmentos econômicos.
“Queremos que o setor produtivo possa estar próximo das nossas universidades e vice-versa. E a proposta de criação de uma cooperativa vai nesse caminho, para que pesquisadores e cientistas possam estar próximos das nossas indústrias e do setor produtivo desenvolvendo novos produtos e inovações”, salientou Ratinho Junior.
O Paraná já conta com um sistema estruturado de ciência e tecnologia, formado por 11 universidades públicas, sendo sete estaduais, além de parques tecnológicos, institutos de pesquisa e um setor cooperativista consolidado.
A CTNI Coop pretende integrar esses ativos para enfrentar dois desafios centrais: transformar pesquisa em negócios e ampliar oportunidades profissionais para pesquisadores.
Apesar de já existirem outras cooperativas de pesquisadores no país, a proposta paranaense é considerada inédita por reunir cientistas e empresários em torno da transformação de pesquisas de laboratório em novos negócios.
O diretor-presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, destacou que o Brasil possui elevada produção científica, mas ainda enfrenta dificuldades para converter resultados acadêmicos em produtos, serviços e inovação para o mercado.
“Precisamos, cada vez mais, fazer a transformação da pesquisa científica, da ciência e tecnologia, em produtos e inovação. Precisamos que isso vá para o mercado e crie riquezas para a sociedade paranaense em diversas áreas”, disse.
Atualmente, o Paraná conta com aproximadamente 26 mil doutores e forma centenas de novos pesquisadores todos os anos. Grande parte desses profissionais atua no setor público ou depende de bolsas financiadas pelo poder público.
“A Fundação Araucária tem acesso a esse contingente de doutores através de uma plataforma que nos diz quem são eles, onde estão e quais são suas áreas de pesquisa”, explicou Wahrhaftig.
O Instituto CTNI, instituição sem fins lucrativos voltada à cooperação entre o setor produtivo, a ciência e o mercado internacional, dará suporte à cooperativa nos três primeiros anos de funcionamento.
Esse apoio incluirá estrutura jurídica, contábil e operacional, além de espaços físicos, como escritórios e salas de reuniões.
A cooperativa será direcionada a cientistas, pesquisadores e doutores de diferentes áreas do conhecimento, empresários, empreendedores, executivos, especialistas em gestão financeira e jurídica, além de profissionais envolvidos com inovação e desenvolvimento de negócios.
A constituição oficial da CTNI Coop está prevista para as próximas semanas, com participação de aproximadamente 20 membros-fundadores, entre cientistas e empresários.
Segundo o diretor do Instituto CTNI, Atilano de Oms Sobrinho, a cooperativa deverá iniciar suas atividades com projetos já em estágio avançado.
“Antes mesmo da constituição, vamos agregar à cooperativa cientistas de várias áreas, representando oito ecossistemas de inovação. Ela já vai iniciar com quatro projetos que já estão bem avançados e poderão ser finalizados nesse ambiente”, explicou.
Para ele, a conexão com empresários será determinante para que projetos científicos avancem em direção a soluções aplicáveis e capazes de gerar resultados concretos para a sociedade.