
Uma empresa de Marechal Cândido Rondon está entre os finalistas do 9º Prêmio Nacional de Inovação (PNI), uma das principais premiações do país voltadas ao reconhecimento de soluções tecnológicas e projetos inovadores. A iniciativa local ganhou destaque nacional ao desenvolver um sorvete com proteína de frango, criado para oferecer alternativa nutritiva a pessoas com dificuldades alimentares.
A final do prêmio acontecerá no dia 26 de março, em São Paulo, durante o 11º Congresso de Inovação da Indústria, que reunirá empresas, pesquisadores e ambientes de inovação de todo o Brasil. Ao todo, 59 iniciativas de diferentes regiões do país disputam a premiação.
Entre os representantes paranaenses estão três ecossistemas de inovação regionais e uma pequena empresa sediada em Marechal Cândido Rondon. O estado também conta com duas empresas concorrendo entre as finalistas na categoria de médias empresas.
O destaque do oeste do Paraná na premiação é a empresa NILO By Lysis, fundada pela pesquisadora Ana Maria da Silva. A iniciativa disputa a categoria Recursos Renováveis - Pequenos Negócios.
A trajetória do projeto começou a partir de uma situação pessoal enfrentada pela pesquisadora. Durante o tratamento contra o câncer de mama gestacional, a filha de Ana Maria apresentava dificuldades para se alimentar.
"Quando minha filha teve câncer de mama gestacional, ela conseguia consumir sorvete para amenizar a dor, mas tinha dificuldade para ingerir outros alimentos. A partir dessa situação surgiu a ideia que deu origem à NILO By Lysis. O Sebrae foi fundamental para chegarmos até aqui.".
A partir dessa experiência, a pesquisadora desenvolveu sorvetes com base proteica de frango e arroz, criando uma alternativa nutritiva. Com o avanço do projeto, a empresa ampliou o portfólio e passou a produzir também sopas, caldinhos, barrinhas de cereais, iogurtes e queijos elaborados com proteína de tilápia.
Sediada em Marechal Cândido Rondon, a empresa conta com cerca de 30 colaboradores terceirizados e vem consolidando sua presença no mercado com produtos voltados à nutrição saudável.
Para Ana Maria, a presença na final do prêmio nacional representa o reconhecimento de anos de estudo e desenvolvimento de soluções alimentares inovadoras. "O objetivo é continuar inovando e ampliar os produtos para oferecer nutrição adequada a quem precisa em todo o Brasil".
O coordenador de Inovação do Sebrae/PR, Alan Debus, avalia que o reconhecimento reforça a importância das iniciativas surgidas a partir da conexão entre instituições, empresas e pesquisadores.
"Esse reconhecimento evidencia a força das iniciativas que nascem da integração entre instituições, empresas e talentos locais. Quando essa articulação ocorre de forma estruturada, a inovação se transforma em desenvolvimento e oportunidades para diferentes regiões".
Além da empresa rondonense, o Paraná também disputa a final do prêmio com três ecossistemas de inovação regionais. Participam da disputa o Sistema Regional de Inovação do Sudoeste do Paraná, na categoria médio porte, o Sistema Regional de Inovação do Norte Pioneiro, na categoria pequeno porte, e o Estação 43, de Londrina, na categoria grande porte.
O presidente do Sistema Regional de Inovação do Sudoeste do Paraná, Marcelo Rogério da Silva, afirma que a indicação demonstra a consolidação do trabalho conjunto desenvolvido na região.
"A proposta apresentada mostra como diferentes instituições atuam de forma integrada para estimular novos negócios, fortalecer conexões e ampliar a cultura da inovação no sudoeste do Paraná".
O Estação 43 reúne mais de 350 pessoas organizadas em 12 governanças setoriais. Segundo o presidente da iniciativa, Lúcio Kamiji, o modelo colaborativo fortalece o desenvolvimento de soluções inovadoras.
Já o Sistema Regional de Inovação do Norte Pioneiro reúne mais de 50 instituições que atuam em conjunto no desenvolvimento regional, articulando ações voltadas à inovação tecnológica, econômica e social.
O desempenho do estado na premiação também acompanha a evolução do Paraná nos indicadores nacionais de inovação. De acordo com o diretor-técnico do Sebrae/PR, César Reinaldo Rissete, o estado vem avançando no Índice Brasileiro de Inovação e Desenvolvimento (IBID), elaborado pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual.
Entre 2020 e 2025, o Paraná saiu da sexta posição para alcançar o terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo e Santa Catarina.
"Nesta semana iniciamos, junto com o governo do Paraná e parceiros do setor produtivo, um movimento para consolidar o estado como referência nacional em desenvolvimento tecnológico por meio da Jornada Paraná IBID 2030. A presença expressiva de finalistas no prêmio demonstra o nível de maturidade do ecossistema de inovação estadual".
O Prêmio Nacional de Inovação reconhece iniciativas que contribuem para o avanço tecnológico, para o aumento da competitividade das empresas e para o desenvolvimento econômico do país.
A premiação contempla sete modalidades, entre elas Descarbonização - Recursos Renováveis, Digitalização de Negócios, Inteligência Artificial para produtividade, Lei do Bem para empresas de diferentes portes, além de Ecossistemas de Inovação e Pesquisador Empreendedor.
Ao longo de oito edições, o prêmio já contabiliza mais de 16,5 mil inscritos e 113 vencedores em todo o Brasil. Além do troféu e do certificado, os finalistas participam do Congresso de Inovação da Indústria e recebem visibilidade nacional para suas iniciativas.