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Governo estuda novo imposto sobre compra de criptoativos

Proposta prevê IOF de 3,5% e reacende debate sobre ampliação da tributação no Brasil

Por: João Livi
19/02/2026 às 09h50
Governo estuda novo imposto sobre compra de criptoativos
Proposta do governo prevê cobrança de IOF sobre compra de criptoativos no Brasil. (Foto: Freepik)

O Ministério da Fazenda prepara consulta pública para instituir cobrança de 3,5% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a compra de criptoativos e transferências desses ativos para o exterior. A medida, proposta pela Receita Federal do Brasil, é vista por analistas como mais um movimento de ampliação da carga tributária no País.

A minuta de decreto prevê isenção para pessoas físicas em operações de até R$ 10 mil por mês, mas atinge principalmente operações acima desse valor e transações realizadas com stablecoins - criptomoedas atreladas ao dólar, como USDT e USDC.

Equiparação ao câmbio

Segundo o governo, a proposta busca dar neutralidade fiscal ao sistema financeiro, equiparando operações com criptoativos às compras de moeda estrangeira e às remessas internacionais, que já pagam 3,5% de IOF.

A Receita argumenta que a ausência de tributação abre espaço para arbitragem tributária e distorções concorrenciais, além de dificultar o controle de fluxos financeiros.

Mercado em expansão

O mercado de criptoativos cresceu significativamente nos últimos anos. O volume declarado passou de R$ 94,9 bilhões em 2020 para R$ 415,8 bilhões em 2024. O volume negociado chegou a R$ 338 bilhões.

O avanço do setor ocorre em paralelo à regulação conduzida pelo Banco Central do Brasil, que classificou as operações com ativos virtuais como operações de câmbio.

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Após derrota no Congresso

A iniciativa surge após o Congresso Nacional derrubar Medida Provisória que previa cobrança de 17,5% de Imposto de Renda sobre ganhos com venda de ativos virtuais.

Agora, a estratégia do governo se concentra no IOF, tributo que pode ser alterado por decreto, sem necessidade de aprovação prévia do Legislativo.

Impactos e incertezas

Caso seja confirmada, a medida encarece a chamada dolarização via ativos digitais e pode elevar o custo de operações internacionais feitas com criptomoedas.

O texto ainda passará por consulta pública e pode sofrer ajustes. Não há data definida para a entrada em vigor, mas a expectativa da equipe econômica é que a regra passe a valer ainda em 2026.

O debate reacende discussões sobre a carga tributária brasileira e o ambiente regulatório para inovação financeira.

 

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