
A possível aprovação da Proposta de Emenda à Constituição - PEC que altera a jornada de trabalho conhecida como escala 6x1 acendeu alerta no setor de transporte rodoviário de cargas. O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região manifestou preocupação com os efeitos da medida sobre custos operacionais e preços ao consumidor.
Segundo a entidade, mudanças estruturais na jornada de trabalho podem gerar impacto direto na produtividade e na eficiência logística, especialmente em um setor responsável pelo abastecimento de alimentos, medicamentos, insumos industriais e bens de consumo em todo o país.
Um dos principais pontos levantados pelo sindicato é a escassez de mão de obra qualificada, sobretudo de motoristas profissionais.
“Um dos principais pontos de atenção é a falta de mão de obra, especialmente de motoristas profissionais. A redução da carga horária, sem a existência de trabalhadores disponíveis no mercado, tende a agravar esse cenário”, afirma Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP.
De acordo com a entidade, o transporte rodoviário de cargas opera sob prazos rígidos e janelas específicas de coleta e entrega. A redução da jornada poderia exigir a contratação de mais profissionais para manter o mesmo nível de serviço.
O sindicato destaca que o aumento no número de contratações elevaria custos administrativos, trabalhistas e operacionais. Esses valores, segundo a avaliação da entidade, tendem a ser absorvidos pela cadeia logística e repassados ao consumidor final.
"É importante lembrar a todos que esses custos não sumirão. Eles serão diluídos na cadeia logística e, no final, quem sentirá o peso no bolso será o consumidor", enfatiza Rodrigues.
O SETCESP afirma apoiar avanços nas relações de trabalho, mas defende que mudanças dessa magnitude sejam discutidas no âmbito da modernização da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, com análise técnica aprofundada e diálogo institucional.
Para o sindicato, é necessário considerar as especificidades do transporte rodoviário de cargas, incluindo segurança jurídica, viabilidade econômica e os reflexos nos preços de produtos essenciais.
Fundado em 1936, o SETCESP representa mais de 42 mil empresas em 50 municípios da Grande São Paulo e se apresenta como o maior sindicato do setor na América Latina. A entidade atua na defesa institucional do transporte rodoviário de cargas e oferece consultoria, estudos técnicos e programas voltados à inovação e sustentabilidade.
O debate sobre a PEC da escala 6x1 deve avançar nas próximas semanas, com expectativa de discussões no Congresso Nacional. Para o setor de transporte, a decisão poderá ter reflexos não apenas nas empresas, mas em toda a economia brasileira.