
O início de 2026 encontra o Brasil em um cenário de forte pressão sobre o orçamento das famílias e das empresas. Juros elevados, endividamento acima de 77% e inadimplência em torno de 30% da população formam um ambiente desafiador, que exige planejamento rigoroso e decisões financeiras mais conservadoras. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do Serasa e reforçam a necessidade de reorganização financeira logo no primeiro trimestre do ano.
Nesse contexto, cresce a busca por estratégias que priorizem equilíbrio, previsibilidade e segurança, tanto para quem precisa quitar dívidas quanto para quem deseja investir com menor exposição a riscos. Para o consultor financeiro André Bobek, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, o começo do ano é o momento mais adequado para colocar as finanças em ordem.
Segundo Bobek, o primeiro passo para atravessar 2026 com mais tranquilidade é compreender a própria realidade financeira. Isso inclui mapear despesas, identificar dívidas e definir metas claras para o ano. Sem esse diagnóstico, afirma o especialista, qualquer tentativa de planejamento tende a se tornar improvisada e ineficiente.
A organização do orçamento permite distribuir melhor a renda entre despesas do dia a dia, quitação de dívidas e formação de patrimônio, reduzindo o risco de novos desequilíbrios ao longo do ano.
Manter a disciplina financeira não depende de ferramentas sofisticadas, mas de constância. O acompanhamento regular das despesas, seja por planilhas, aplicativos ou anotações simples, ajuda a evitar surpresas no fim do mês. Outro ponto destacado é a prática de separar o valor destinado a investimentos assim que a renda é recebida, criando um compromisso com o futuro financeiro.
Bobek também ressalta que a ampliação da renda, por meio de novas oportunidades profissionais ou projetos paralelos, pode acelerar o processo de reorganização e ampliar a capacidade de poupança.
Para estruturar objetivos financeiros, o consultor recomenda a metodologia do PIF (Presente, Imprevistos e Futuro), que propõe a divisão da renda entre despesas atuais, reserva para emergências e investimentos de longo prazo. Essa lógica facilita a visualização das metas e contribui para um planejamento mais sustentável.
Em um país onde dívidas como cartão de crédito e cheque especial acumulam juros mensais elevados, Bobek alerta que a prioridade deve ser a quitação ou renegociação desses compromissos. Investir enquanto se paga juros elevados, segundo ele, compromete a eficiência financeira e prolonga o endividamento.
Com juros reais elevados e um ambiente de maior volatilidade, especialmente por se tratar de um ano eleitoral, a recomendação para o início de 2026 é priorizar investimentos de baixo risco e alta liquidez. O Tesouro Selic aparece como principal alternativa para a formação da reserva de emergência, oferecendo segurança e previsibilidade.
Após a consolidação dessa reserva, o investidor pode avançar para produtos de renda fixa de médio prazo, como títulos atrelados à inflação, CDBs e letras de crédito, antes de considerar a diversificação gradual para a renda variável, sempre alinhada aos objetivos de longo prazo.
Com inadimplência elevada e juros ainda pressionando o consumo e os investimentos, 2026 começa exigindo cautela. A reorganização financeira, aliada a escolhas mais conservadoras, surge como caminho para preservar patrimônio, reduzir riscos e construir estabilidade em um ambiente econômico ainda desafiador.