
Os empresários da região Oeste do Paraná iniciam o primeiro semestre de 2026 com confiança moderada, porém em ritmo mais contido do que no semestre anterior. É o que aponta a Pesquisa de Opinião do Empresário do Comércio, elaborada pela Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR.
Na região, 29,1% dos empresários projetam crescimento do faturamento nos próximos meses - índice sete pontos percentuais inferior aos 36,1% registrados no levantamento anterior. Outros 25,6% avaliam cenário de estabilidade, enquanto 24,4% ainda não definiram expectativas. Já 20,9% projetam desempenho desfavorável.
O resultado acompanha a tendência estadual, cuja média de otimismo ficou em 28,7%, abaixo dos 33,5% verificados no semestre passado.
O levantamento indica que a redução das expectativas está associada ao início da transição tributária, à manutenção de juros elevados e ao cenário eleitoral, fatores que ampliam a cautela no ambiente de negócios.
No ranking regional de otimismo, Curitiba e Região Metropolitana lideram (33,5%), seguidas por Londrina (32,2%) e Sudoeste (30,0%). O Oeste aparece na sequência, com 29,1%. Maringá (20,8%) e Ponta Grossa (15,8%) registram os menores índices.
Entre os segmentos pesquisados, o setor de serviços apresenta maior confiança, com 34,3% de expectativas favoráveis. No turismo, o índice é de 25%, enquanto no comércio chega a 24,6%.
Para o presidente em exercício da Fecomércio PR, Ari Faria Bittencourt, o momento é de prudência.
“O empresário paranaense é naturalmente cuidadoso. O cenário exige cautela, mas o setor segue ativo, mantendo empregos e buscando adaptação”, avalia.
A análise por porte mostra que empresas de pequeno porte concentram maior otimismo (31,5%), seguidas pelas médias e grandes (30,4%). Microempresas individuais registram 29,3% de expectativas favoráveis.
Entre os microempreendedores individuais (MEIs), as avaliações negativas superam as positivas: 27% projetam cenário desfavorável, contra 20,6% otimistas.
Segundo o diretor-técnico do Sebrae/PR, César Rissete, o contexto exige maior atenção à gestão.
“As micro e pequenas empresas sentem mais diretamente os efeitos de juros elevados e mudanças tributárias. Por isso, o apoio à capacitação e ao planejamento torna-se essencial”, afirma.
A carga tributária é a maior fonte de preocupação, citada por 43,2% dos empresários - alta de 10,5 pontos percentuais em relação ao semestre anterior. A instabilidade política aparece na sequência (39%), seguida pela falta de mão de obra qualificada (35,1%), um dos níveis mais elevados dos últimos 12 anos.
Também figuram entre os desafios a instabilidade econômica e a percepção de clientes descapitalizados.
Apesar do ambiente cauteloso, 30,6% dos empresários pretendem investir no primeiro semestre. Outros 26,2% ainda não definiram estratégia, enquanto 43,2% não planejam investir.
Entre os investimentos previstos estão reforma e modernização das instalações, aquisição de máquinas e equipamentos, propaganda e marketing e capacitação da equipe.
Na região Oeste, 15,1% dos empresários pretendem ampliar o quadro funcional, enquanto 55,8% indicam manutenção da equipe atual. Outros 8,1% avaliam reduzir colaboradores.
Os dados indicam um cenário de prudência, com foco na preservação da estrutura existente e controle de custos.