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Empresários do Paraná iniciam 2026 com expectativas mais moderadas

Pesquisa da Fecomércio PR e do Sebrae/PR aponta cautela no primeiro semestre, mas manutenção de empregos e investimentos pontuais

Por: João Livi Fonte: Assessoria
24/02/2026 às 17h48
Empresários do Paraná iniciam 2026 com expectativas mais moderadas
Presidente em exercício da Fecomércio PR, Ari Faria Bittencourt. (Foto: Divulgação)

Os empresários paranaenses começam o primeiro semestre de 2026 com projeções mais contidas em relação ao desempenho dos negócios. É o que revela a Pesquisa de Opinião do Empresário do Comércio, elaborada pela Fecomércio PR em parceria com o Sebrae/PR.

De acordo com o levantamento, 28,7% dos empresários demonstram expectativa favorável para os primeiros seis meses do ano, enquanto 24,4% apostam em estabilidade. Já 19,7% avaliam o período de forma desfavorável e 27,2% ainda não possuem opinião consolidada.

O índice de otimismo é inferior ao registrado no semestre anterior (33,5%) e também ao observado no início de 2025, refletindo um ambiente de maior incerteza, marcado por transição tributária, juros elevados e ano eleitoral.

Serviços lideram confiança

Entre os segmentos analisados, o setor de serviços apresenta o maior percentual de expectativas positivas, com 34,3%. No turismo, o índice é de 25%, enquanto no comércio chega a 24,6%.

Para o presidente em exercício da Fecomércio PR, Ari Faria Bittencourt, o momento exige prudência.

“O empresário paranaense é cuidadoso e já enfrentou ciclos desafiadores. Esse cenário de cautela é compreensível, mas o setor segue ativo, mantendo empregos e buscando adaptação”, afirma.

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Segundo ele, a disposição para preservar o quadro funcional e realizar investimentos seletivos indica confiança no médio prazo.

Pequenos negócios mais otimistas

A análise por porte mostra que empresas de pequeno porte concentram maior otimismo (31,5%), seguidas por médias e grandes empresas (30,4%). Entre microempresas individuais, o índice é de 29,3%.

Já entre os microempreendedores individuais (MEIs), as avaliações negativas superam as positivas: 27% projetam cenário desfavorável, contra 20,6% otimistas.

O diretor-técnico do Sebrae/PR, César Rissete, destaca a importância da gestão estratégica neste momento.

“As micro e pequenas empresas sentem mais diretamente os efeitos dos juros elevados e das mudanças tributárias. Por isso, o apoio à capacitação e ao planejamento é fundamental para manter a competitividade”, pontua.

Principais dificuldades

A carga tributária é a maior preocupação, mencionada por 43,2% dos empresários - aumento de 10,5 pontos percentuais em relação ao semestre anterior. O dado está associado ao início da implementação da Reforma Tributária.

Na sequência aparecem:

  • Instabilidade política: 39%

  • Falta de mão de obra qualificada: 35,1%

  • Instabilidade econômica

  • Clientes descapitalizados

A escassez de profissionais qualificados alcança um dos níveis mais altos dos últimos 12 anos, consolidando-se como gargalo estrutural do setor.

Investimentos seguem seletivos

Mesmo em ambiente cauteloso, 30,6% dos empresários pretendem investir no primeiro semestre. Outros 26,2% ainda não definiram estratégia, enquanto 43,2% não planejam investir.

Entre os que pretendem aplicar recursos, as prioridades são:

  • Reforma e modernização das instalações (30,3%)

  • Aquisição de máquinas e equipamentos (27,0%)

  • Propaganda e marketing (25,9%)

  • Capacitação da equipe (21,6%)

Contratações devem se manter

A pesquisa também indica estabilidade no emprego. Cerca de 25,9% projetam ampliar o quadro funcional, percentual superior ao semestre anterior. Apenas 7,2% pretendem reduzir contratações.

Panorama regional

Curitiba e Região Metropolitana apresentam o maior índice de expectativa positiva (33,5%), seguidas por Londrina (32,2%) e Sudoeste (30%).

Na Região Oeste, o percentual é de 29,1%. Maringá registra 20,8% e Ponta Grossa, 15,8%.

Metodologia

O levantamento ouviu mais de 600 empresários entre 14 e 30 de janeiro, abrangendo diferentes portes e segmentos nas regiões de Curitiba e Região Metropolitana, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Oeste e Sudoeste.

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