O avanço da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) nas Américas acendeu um alerta no Paraná, principal produtor e exportador de frango do Brasil. Para conter o risco de disseminação do vírus, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou a suspensão da criação de aves ao ar livre sem proteção superior e reforçou medidas de biossegurança em todo o território nacional. A determinação consta na Portaria nº 782, de 26 de março de 2025, publicada no Diário Oficial da União.
No Estado, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) intensificou as fiscalizações e monitorações, especialmente nas regiões que concentram granjas e propriedades com aves de subsistência. Segundo Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, “os produtores precisam continuar tomando todos os cuidados para evitar a aproximação de aves silvestres nas granjas”.
Entre as novas exigências, eventos como exposições e feiras que envolvem aves só serão permitidos mediante autorização do Serviço Veterinário Estadual e apresentação de um plano de biossegurança. A proibição inicial terá validade de 180 dias, podendo ser prorrogada conforme a evolução do cenário epidemiológico.
Monitoramento
Para reforçar a segurança do setor, o Paraná prorrogou em janeiro de 2025, pela terceira vez, o decreto de emergência zoossanitária. Com essa medida, a vigilância foi intensificada em todo o Estado, com destaque para a região Litorânea, porta de entrada de aves migratórias que podem trazer o vírus de outros países. A ação é realizada em parceria com o Centro de Estudos Marinhos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Desde a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil, em maio de 2023, o Paraná registrou 13 focos de H5N1, todos em aves silvestres. Diante disso, qualquer suspeita de sintomas como dificuldades respiratórias, fraqueza ou comportamento anormal em aves deve ser imediatamente comunicada à Adapar.
Impacto no mercado
Mesmo diante do desafio sanitário, o setor avícola paranaense segue em crescimento. Em 2024, o Estado foi responsável pelo abate de 2,2 bilhões de frangos, o equivalente a 34,2% da produção nacional. A exportação de carne de frango atingiu 2,171 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 4 bilhões.
Uma conquista recente para os exportadores foi o reconhecimento do Japão sobre a regionalização do Certificado Sanitário Internacional (CSI). Com isso, em caso de surto da doença, as restrições de exportação serão limitadas ao município afetado e não mais ao Estado inteiro, garantindo maior segurança comercial.