A chegada tumultuada de 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos em Manaus, na última sexta-feira (24), trouxe à tona questionamentos sobre a segurança e os procedimentos adotados nos voos de repatriação. Imigrantes relataram abusos por parte das autoridades americanas, incluindo o uso indiscriminado de algemas e condições precárias dentro da aeronave.
Os voos de deportação organizados pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) costumam impor o uso de algemas nos passageiros adultos, sob o argumento de segurança para a tripulação e demais ocupantes. Embora essa prática já tenha sido alvo de protestos da diplomacia brasileira, as autoridades americanas mantêm a posição de que essa medida é essencial para evitar incidentes durante o trajeto.
A situação se agravou quando, já em solo brasileiro, alguns passageiros acionaram a porta de emergência da aeronave em um ato de desespero, levando à intervenção de autoridades locais.
Atualmente, não há um tratado formal entre Brasil e Estados Unidos que regulamente os procedimentos de deportação. O que existe são trocas diplomáticas informais, com o Brasil buscando minimizar impactos negativos sobre seus cidadãos.
O governo americano tem interesse em intensificar as repatriações, chegando a solicitar ao Brasil a aceitação de até três voos fretados por semana. Contudo, até o momento, essa quantidade nunca foi atingida, e a diplomacia brasileira segue monitorando os desdobramentos do caso mais recente para avaliar novas medidas.