A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre importações, incluindo uma taxa de 10% para produtos brasileiros, acendeu o alerta no setor industrial e comercial do Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende uma análise detalhada das medidas e aposta no diálogo para preservar a relação econômica com os norte-americanos.
"Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira. No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas", declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota oficial.
Como parte da estratégia para mitigar os impactos das novas tarifas, a CNI confirmou que levará uma comitiva de empresários brasileiros aos Estados Unidos na primeira quinzena de maio. O grupo deve se reunir com representantes da indústria e do governo norte-americano para discutir a facilitação do comércio e a abertura de mercados de maneira equilibrada.
"Reiteramos a disposição da indústria de contribuir com as negociações com os parceiros americanos. A missão empresarial estratégica para os EUA tem justamente o objetivo de aprofundar o relacionamento e discutir caminhos para fortalecer a cooperação e o comércio entre Brasil e Estados Unidos", reforçou Alban.
Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, especialmente para produtos de maior intensidade tecnológica. O país também lidera o comércio de serviços e os investimentos bilaterais.
Em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 31,6 bilhões para os EUA. Segundo a CNI, para cada R$ 1 bilhão exportado para os Estados Unidos, foram gerados 24,3 mil empregos no Brasil, além de R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção.
Se, por um lado, a indústria teme os impactos negativos das novas tarifas americanas, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) acredita que a decisão pode representar uma oportunidade de expansão para o comércio brasileiro.
A entidade destaca que a conjuntura internacional pode abrir espaço para novos acordos comerciais. "Já que muitas nações terão dificuldades em levar seus produtos aos EUA, por conta das tarifas, esse é o momento ideal para o Brasil reforçar sua participação nesses mercados. Sobretudo no Japão, na China e na União Europeia, para citar alguns", afirmou a FecomercioSP em nota.
Além disso, a federação defende que o governo brasileiro aproveite o cenário para assinar novos acordos bilaterais, reduzir tarifas e facilitar mecanismos aduaneiros.