O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) alcançou um marco significativo ao receber do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a concessão de uma patente de invenção para um inovador processo químico. Intitulado “Processo para síntese total da Ocratoxina Alfa enantiomericamente pura”, o projeto é fruto do trabalho de Cesar Antonio Lenz, doutor em Química e pesquisador do Tecpar, realizado sob orientação do professor Michael Rychlik, da Universidade Técnica de Munique (TUM).
A pesquisa se concentrou no desenvolvimento de uma substância essencial para detectar contaminações por ocratoxinas, toxinas prejudiciais à saúde humana encontradas em alimentos e bebidas. Estas toxinas, produzidas por fungos, são conhecidas por causar danos renais e tumores no trato urinário.
Cesar Lenz destacou a relevância da invenção para a saúde pública. Ele explicou:
"Contaminações por Ocratoxinas são resultantes da atividade de fungos e são encontradas em vários tipos de alimentos e bebidas. É considerada tóxica aos rins e causadora de tumores de trato urinário".
A invenção patenteada inclui duas rotas sintéticas inéditas, resultando em rendimentos superiores aos registrados na literatura científica. Essa abordagem não apenas aprimora a produção da ocratoxina alfa como reduz os custos industriais, permitindo maior acessibilidade ao composto.
O alcance da patente se estende por setores como:
Essas aplicações reforçam o papel do Tecpar como polo de inovação, alinhado ao compromisso de fomentar avanços tecnológicos com impacto direto na sociedade.
Celso Kloss, diretor-presidente do Tecpar, destacou a importância da conquista:
"Como instituição pública de ciência e tecnologia, o Tecpar tem o compromisso de fomentar a inovação e o empreendedorismo tecnológico no Paraná e no Brasil".
A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da TUM, que disponibilizou infraestrutura tecnológica avançada para o projeto.
O pedido da patente foi protocolado em 2011 e, após 13 anos de análises e verificações pelo INPI, a invenção foi reconhecida por sua originalidade, atividade inventiva e aplicabilidade industrial.
Lenz ressaltou do rigor do processo:
"Assim que o pedido foi aceito para análise e recebeu a data de prioridade, publicamos o artigo científico e aguardamos por 13 longos anos até recebermos a resposta".
Com a patente em mãos, o Tecpar busca parcerias com indústrias interessadas em incorporar a tecnologia. O processo químico patenteado poderá ser licenciado para aplicação em sistemas produtivos, tornando-se um exemplo prático de como ciência e inovação convergem para soluções que beneficiam a sociedade.
Esta conquista reafirma a importância do investimento contínuo em pesquisa científica e tecnológica, posicionando o Brasil como um protagonista na geração de conhecimento de ponta e no fortalecimento da economia baseada na inovação.