
Os juros elevados continuam sendo o principal obstáculo enfrentado pela indústria da construção no Brasil. Quatro em cada dez empresários apontaram as taxas de juros como um dos principais problemas do setor no terceiro trimestre de 2026. O resultado representa o segundo maior patamar da série histórica iniciada em 2015, conforme pesquisa divulgada nesta segunda-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os dados fazem parte da Sondagem Indústria da Construção, realizada em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A preocupação com os juros aumentou 3,8 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre, mesmo diante das reduções da taxa básica de juros, a Selic.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os juros ocupam a liderança entre os problemas apontados pelos empresários há algum tempo. Apenas no segundo trimestre de 2023 o percentual de indicações foi maior.
A elevada carga tributária aparece como a segunda maior preocupação, mencionada por 31% dos entrevistados, seguida pela falta ou alto custo da mão de obra não qualificada, citada por 29%.
As condições financeiras das empresas continuam desfavoráveis. O indicador de facilidade de acesso ao crédito caiu de 39,3 para 37,9 pontos no terceiro trimestre. Como permanece abaixo da linha de referência de 50 pontos, o resultado sinaliza dificuldades crescentes na obtenção de empréstimos e financiamentos.
A satisfação com o lucro operacional também recuou, chegando a 40,7 pontos, enquanto o indicador de satisfação com a situação financeira permaneceu em 45,2 pontos. Ambos refletem insatisfação dos empresários.
Outro fator de pressão é o custo dos insumos e das matérias-primas. Embora tenha diminuído de 66,2 para 65,5 pontos, o indicador continua acima de 50, revelando que os empresários ainda percebem aumento dos preços.
Nesse ambiente, a intenção de investimento alcançou 41,9 pontos em outubro. Apesar de uma recuperação de 2,2 pontos em relação a setembro, esse foi o pior resultado para o mês desde 2020.
Apesar das dificuldades financeiras, alguns indicadores mostram sinais de melhora.
Em setembro, o índice de evolução da atividade da construção subiu para 45,6 pontos, enquanto a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) avançou três pontos percentuais, chegando a 68%.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial da Construção também reagiu, com crescimento de 3,5 pontos, alcançando 49 pontos em outubro.
Embora permaneça abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, o resultado indica redução do pessimismo entre os empresários.
A expectativa para o nível de atividade nos próximos meses subiu para 50,1 pontos, aproximando-se da estabilidade. Já as perspectivas para compras de insumos, novos empreendimentos e contratação de trabalhadores melhoraram, mas continuam abaixo de 50 pontos.
O levantamento revela um cenário de recuperação moderada da construção civil, ainda condicionado pelas dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas.
A combinação de juros elevados, crédito restrito, custos de produção e baixa intenção de investimento continua limitando as perspectivas de expansão do setor, mesmo com a melhora de alguns indicadores de atividade e confiança.
Para a edição de outubro da Sondagem Indústria da Construção, a CNI ouviu 305 empresas de diferentes portes, entre os dias 1º e 13 de outubro de 2026.