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Mercado espera novo corte da Selic nesta semana

Projeção aponta redução da taxa básica de 14% para 13,75% ao ano; Focus também mostra menor expectativa para inflação e crescimento da economia em 2026

Por: João Livi
15/09/2026 às 09h04
Mercado espera novo corte da Selic nesta semana
Mercado financeiro espera que o Copom reduza a Selic dos atuais 14% para 13,75% ao ano nesta semana. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo)

O Brasil pode ter nesta semana o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros. A ampla maioria das instituições financeiras consultadas espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.

A expectativa também aparece no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Entre as 78 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 75 projetam corte de 0,25 ponto percentual, enquanto apenas três trabalham com a manutenção da Selic em 14%.

O Copom se reúne a partir de hoje (15) para definir o novo patamar dos juros. A decisão será conhecida ao término do encontro do colegiado, o que poderá acontecer amanhã (16).

Inflação e atividade favorecem corte

A expectativa predominante entre os economistas é sustentada por sinais de alívio da inflação no curto prazo e por evidências mais consistentes de desaceleração da atividade econômica.

O próprio Focus trouxe nova revisão para baixo da inflação. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 5% para 4,90%. Há quatro semanas, estava em 5,02%.

Ao mesmo tempo, a projeção para o crescimento da economia brasileira voltou a diminuir. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passou de 1,93% para 1,89%. Quatro semanas antes, a previsão era de expansão de 1,98%.

Próximos cortes são mais incertos

Se a redução para 13,75% é amplamente esperada para esta reunião, os passos seguintes do Banco Central despertam maior incerteza entre os analistas.

A expectativa é de que o Copom evite antecipar decisões e mantenha sua comunicação condicionada ao comportamento dos indicadores econômicos. Isso permitiria avaliar, reunião após reunião, a evolução da inflação, da atividade econômica e das condições externas antes de decidir por novos cortes.

Entre os fatores de atenção estão o comportamento do câmbio e do petróleo. As tensões no Oriente Médio mantêm pressão sobre as cotações internacionais da commodity, com possíveis reflexos sobre combustíveis, custos de produção e inflação.

A aproximação das eleições de 2026 também entra no radar dos analistas por seu potencial de ampliar a volatilidade e as incertezas econômicas.

Focus aponta Selic de 13,75% no fim do ano

Pelas projeções reunidas no Boletim Focus, a Selic deverá encerrar 2026 nos mesmos 13,75% esperados para esta reunião. Isso indica que, neste momento, a mediana das expectativas não contempla novos cortes até dezembro após uma eventual redução nesta semana.

Para 2027, o mercado projeta crescimento de 1,45% para o PIB e inflação de 4,30%. No câmbio, a estimativa para o final de 2026 permanece em R$ 5,20 por dólar, valor mantido nas projeções por 13 semanas consecutivas.

Juros já caíram quatro vezes

Na reunião de agosto, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa permaneceu em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas. O ciclo de redução começou em março, acompanhando a melhora das perspectivas para a inflação.

Agora, além da decisão sobre a Selic, o mercado estará atento principalmente ao comunicado do Copom. A linguagem adotada pelo Banco Central poderá oferecer indicações sobre o grau de cautela da autoridade monetária e as condições necessárias para que o ciclo de redução dos juros continue.

 

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