A Organização Mundial da Saúde publicou recentemente dados globais destacando avanços no adoecimento emocional em muitos países, tanto em aspectos da vida pessoal e profissional. Fatores que impactam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida humana, justificando muitas das transformações econômicas existentes no mundo e nas organizações que afastam milhares de pessoas do ambiente de trabalho.
No Brasil o INSS apresentou um relatório em 2025, demostrando que mais de 500 mil trabalhadores adoeceram com prevalência de doenças mentais e um custo muito alto para produtividade de empregados e empregadores. O números apontam que o adoecimento mental representa um total de despesas na média de 15% da folha de pagamento. Em algumas empresas, isso representa milhões e muitos prejuízos que contabilizam desde as relações no trabalho como de todo crescimento empresarial.
As pessoas sim, estão tendo adoecimento psíquico, principalmente pelo sua própria estrutura afetiva, pelo cumprimento de longas jornadas, pressão por mudanças econômicas e globais, novas tecnologias e condições sociais agravantes. O cenário atual está empurrando as pessoas para um problema grave, traduzido em muitos os casos de absenteísmo e rotatividade profissional. No entanto, em anos os especialistas já alertam que a saúde mental vem sendo afetada por transformações que atingem diretamente o modo de vida pessoal, profissional e familiar.
A lista feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, considera as doenças mentais que mais geraram concessões de benefício são os transtorno do humor, de ansiedade, do sono, dependência química, estresse de adaptação, esquizofrenia e alcoolismo. Em 2025, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, já formam o segundo maior motivo de adoecimento no trabalho e do uso continuo de medicamentos psicoativos, somando um custo no INSS muito alto, perto de R$ 3,5 bilhões para o bolso de muitos brasileiros.
Atualmente os dados da Organização Mundial de Saúde e a Organização Mundial do Trabalho, publicaram diretrizes e indicadores sobre saúde mental, estimando 12 bilhões de dias que são perdidos anualmente nas organizações, devido aos Transtornos de Humor ( F32 ) e Transtorno de Ansiedade ( F41 ), representando custos no mundo de um trilhão de dólares à economia global e perda significativa de produtividade.
No Brasil, os transtornos de saúde mental num conjunto representam uma taxa média de absenteísmo de 28% dos adoecimentos no trabalho, segundo o Ministério da Saúde. As reações de estresse (Transtorno de Adaptação F43) e sub/sobrecarga ocupacional, representam 5,8% dos problemas presente nos fatores de risco psicossocial, no dia-a-dia de milhares de trabalhadores.
A saúde mental é realmente uma questão muito séria e urgente tanto por uma questão pessoal e profissional, como também pelo contexto econômico da sociedade, ficando muito evidente que precisamos tratar o assunto “Gerenciamento de Riscos Psicossociais” com maior clareza, promovendo ações estratégias de “prevenção e assistência” mais resolutivas no que diz respeito aos critérios de gravidade e severidade, com SOLUÇÕES mais efetivas e não apenas para atender possíveis fiscalizações.
Apenas diagnosticar e analisar os indicadores do ambiente de trabalho caracteriza necessariamente uma obrigação para muitos gestores de cumprir leis, traduzindo um porcentual de prevenção muito baixo nos casos de absenteísmo, de resultados produtivos e de perdas em processos de trabalho, sobretudo, mensurar somente os “fatores externos” que impactam o trabalhador representa pouco efetividade para muitas e grandes corporações que já por anos estão percebendo e retrocedendo em suas estratégias. A efetividade das ações, a melhoria dos processos de produção e uma autêntica gestão de pessoas, requer estudo e projetos epidemiológicos individuais e coletivos com mensuração estatística de prevalências em cada cultura organizacional, como também a pesquisa do uso de medicação psicofarmacológica como indicador quantitativo em saúde mental e o planejamento participativo de ações mais resolutivos que seguem na direção dos próprios indivíduos e do fortalecimento emocional.
A saúde mental provêm de dentro para fora ( subjetividade) e o que estamos promovendo como metodologia de riscos psicossociais é uma estratégia de fora para dentro. O termômetro é nas pessoas!
As pessoas na realidade já estão comprometidos emocionalmente, sendo que elas mesmas necessitam de ajuda urgente para contribuir melhor e mais com suas organizações. É evidente um olhar mais humanizado para o sofrimento e o momento atual que demanda uma reconstrução dos paradigmas de gestão no cuidado e superação não apenas dos efeitos progressivos ocupacionais, mas também no plano e execução de ações em saúde mental, estruturadas e sensivelmente humanizadas diante dos fatos existentes em seus diversos efeitos da vida pessoal e social. Outro ponto fundamental é a utilização que muitos estão fazendo de “pacotes” ou programas de prevenção em saúde ocupacional, já prontos e que são utilizados no modo “atacado”. Os programas devem sim, ser construídos especificamente “in Company” com a participação, campanha, envolvimento e cooperação de gestores e trabalhadores para um autêntico “engajamento”, compreensão continua e comprometimento nos processos que seguem o sentido da “Gestão da Saúde Mental e a Qualidade de vida”, sendo mais eficientes (metodologias) e mais eficazes (resultados).
Por fim, é importante afirmar que dar passos não efetivos agrava a situação e requerem refazer ações ao médio prazo, tornando mais exigente e custos mais elevados para as organizações. A história nos trouxe até aqui, mas os impactos das últimas décadas tem trazido de reboque alguns prejuízos significativos, revelado numa espécie de desequilíbrio sistêmico para todos, no qual observamos um aumento dos índices de “depressão e ansiedade” que são apenas “sintomas” do sofrimento presente, assim como os dados alarmantes acerca da autonomia e o sentimento de inutilidade profissional.
Evidências como no Brasil, onde em 2024 a população desembolsou cerca de R$ 215,8 bilhões na compra de medicamentos e um drástico acréscimo de 9,5% em relação a 2023. Atingimos uma escala de o maior pais no mundo em consumo de ansiolíticos. Nesse sentido, o adoecimento é evidente e acompanha o estilo de vida atual, onde se perde a real consciência dos fatos e uma tomada de decisões mais estratégica e humanizada, que exigem uma compreensão mais profunda sobre como indivíduos podem desempenhar competências com saúde e qualidade de vida. Quando uma pessoa reconhece seus valores e capacidades, pode certamente lidar com os estresses normais do dia-a-dia, trabalhar de forma produtiva, prosperar e contribuir para sua organização. Dessa forma, a promoção do bem-estar no ambiente de trabalho não é apenas uma questão psicossocial, mas também de um olhar mais profundo na direção do SER humano e da retenção de talentos.
Muitos estudos comprovam que ambientes de trabalho saudáveis são 20% mais produtivos. Não é custo é investimento, para um maior desempenho e satisfação profissional. Essa é a principal questão, no entanto, diante dessas evidências, muitas organizações ainda culturalmente subestimam a importância de promover ações para estabelecer o bem-estar emocional dos seus colaboradores. Compreender nas pessoas os fatores que influenciam a saúde mental é o ponto de partida essencial para a implementação de intervenções eficazes. O compromisso com o desenvolvimento integral de indivíduos e a responsabilidade social no ambiente corporativo, sustenta uma coexistência harmoniosa entre uma vida saudável e o cumprimento das metas. Olhar para as pessoas por fim revela soluções participativas e práticas que podem ser aplicadas na gestão para melhorar o trabalho e, consequentemente, a qualidade de vida de seus parceiros de negócio, sendo que isso não se refere somente a produtividade como também a redução dos problemas de estresse e falta de motivação. A valorização do capital humano tem levado as empresas a repensarem seus planos de investimento e a prevenção da saúde ocupacional, tornando sua organização mais forte, sustentável e com sucesso. A saúde mental é uma noção profundamente humana para o enfrentamento e a superação das situações adversas, mostrando que os indivíduos quando não estão preparados mentalmente, na maioria das vezes, depende das situações ambientais e sociais que dão as suas atividades outras direções e impulsos. Quando as situações internas de cada um não são favoráveis, a pessoa se torna confusa e indefinida, refletindo sua fragilidade e adoecendo no ambiente de trabalho, pois cada vez mais depende do mesmo ambiente que de si mesma e de suas próprias condições. Não tem autonomia e vive mais em função dos outros do que seus próprios valores mentais.
Muitas limitações que as pessoas apresentam, tem sua origem nos modelos e padrões de comportamento inadequados e que podem ser modificados. O mais interessante é a mudança de cultura e rever em que direção vamos promover efetivamente saúde na realidade, começando pelas pessoas ou pelo ambiente de trabalho. Essa reflexão cria expectativas positivas quando os esforços no futuro são direcionados muito mais para o SER humano e na orientação das verdadeiras causas de onde surge o problema emocional e seus efeitos no ambiente psicossocial. É muito certo que cada indivíduo possui características altamente proativas e construtivas, que se potencializadas por si só, eliminam as manifestações negativas. A natureza psíquica sempre alerta e produz sintomas que não percebidos aumentam toda gravidade e se manifestam nas dimensões quotidianas, portanto, é válido investir em pessoas e obter melhores e maiores resultados!
*Especialista em Psiquiatria e Saúde Mental - FAMART/MG e Doutor em Saúde Humana - UniEnsino/PR
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