
Keiko Fujimori ficou muito próxima de ser confirmada como presidente do Peru após abrir uma vantagem considerada insuperável no segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a candidata conservadora alcançou 50,11% dos votos, contra 49,89% do rival Roberto Sánchez.
A diferença entre os dois chegou a 43.386 votos, enquanto restam 40.213 votos potenciais a serem contabilizados. Apesar do cenário matematicamente favorável a Fujimori, a autoridade eleitoral peruana ainda não declarou oficialmente o resultado final.
A proclamação do vencedor deve ocorrer somente após a conclusão dos procedimentos eleitorais pendentes, com previsão para meados de julho.
A eleição peruana foi marcada por uma das apurações mais acirradas da história recente do país. O resultado do segundo turno demorou a avançar devido à revisão de cédulas contestadas, à chegada tardia de votos do exterior e à pequena diferença entre os candidatos.
Fujimori disputou a Presidência pela quarta vez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela se apresentou nesta campanha como uma candidata capaz de impor ordem e estabilidade em meio ao avanço da criminalidade e ao desgaste das instituições políticas.
Roberto Sánchez, candidato de esquerda, contestou o processo e afirmou que havia fraude em andamento, sem apresentar provas. Ele também declarou que não reconheceria o resultado.
A campanha de Sánchez pediu a anulação de milhares de votos depositados no exterior, que favoreceram majoritariamente Fujimori.
O pedido foi rejeitado pelo júri eleitoral nacional do Peru. A disputa em torno desses votos elevou a tensão política e abriu a possibilidade de um período prolongado de questionamentos após a conclusão da apuração.
Observadores internacionais, incluindo missões da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia, apontaram normalidade no processo eleitoral e defenderam que os atores políticos aguardem a conclusão oficial da apuração.
A provável vitória de Fujimori ocorre em um país que atravessa forte instabilidade institucional. O Peru teve oito presidentes em oito anos, sem que nenhum deles completasse integralmente o mandato.
Três foram removidos por impeachment e um renunciou após apenas seis dias no cargo. Além disso, quatro ex-presidentes estão presos, enquanto Alberto Fujimori, pai de Keiko, cumpriu pena por violações de direitos humanos cometidas durante seu governo, nos anos 1990.
O cenário reforça o desafio do próximo governo, que deverá lidar com desconfiança da população em relação à classe política, desigualdades econômicas entre Lima e regiões rurais, e pressões por respostas mais duras contra o crime.
O resultado também é observado no contexto político da América Latina. A possível vitória de Fujimori reforça o avanço de candidaturas de direita na região, em meio à preocupação de eleitores com segurança pública, estabilidade econômica e ordem institucional.
No Peru, a candidata conservadora buscou aproximar sua campanha da ideia de autoridade e controle, enquanto Sánchez concentrou sua força em setores identificados com regiões rurais e grupos mais críticos ao fujimorismo.
A confirmação oficial do resultado dependerá da conclusão dos trâmites eleitorais, mas os números divulgados pela ONPE indicam que Keiko Fujimori está em posição decisiva para assumir a Presidência do Peru.