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Acordo entre EUA e Irã promete cessar-fogo imediato e reabertura de Ormuz

Pacto mediado pelo Paquistão prevê interrupção das operações militares, retirada do bloqueio naval americano e assinatura oficial na sexta-feira, em Genebra.

Por: João Livi
15/06/2026 às 08h58
Acordo entre EUA e Irã promete cessar-fogo imediato e reabertura de Ormuz
Acordo entre Estados Unidos e Irã prevê cessar-fogo imediato e reabertura do Estreito de Ormuz após assinatura oficial em Genebra. (Foto: Magnific)

Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo de paz para cessar-fogo no Oriente Médio e reabertura total do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo e gás natural. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador nas negociações. A assinatura oficial está prevista para 19 de junho, em Genebra, na Suíça.

O acordo prevê a interrupção imediata das operações militares na região, inclusive no Líbano. A desobstrução completa do Estreito de Ormuz, no entanto, deverá ocorrer após a assinatura formal do pacto. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a remoção imediata do bloqueio naval americano e comemorou a reabertura da rota marítima.

O anúncio teve impacto imediato nos mercados internacionais. Segundo a Reuters, os preços do petróleo recuaram após a divulgação do entendimento entre os dois países, enquanto os futuros de ações em Nova York avançaram diante da expectativa de redução das tensões no Oriente Médio.

Mediação paquistanesa destrava pacto

De acordo com o primeiro-ministro paquistanês, mediadores devem conduzir uma série de reuniões ao longo da semana para preparar as etapas de implementação do acordo e a cerimônia oficial de assinatura.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que o texto do memorando de entendimento foi finalizado e que a assinatura oficial ocorrerá na sexta-feira, na Suíça, segundo informações atribuídas à agência iraniana Fars no material divulgado.

A negociação também envolveu concessões de última hora. Conforme o relato apresentado, o Irã teria cancelado temporariamente as tratativas após um ataque israelense a um subúrbio de Beirute, no Líbano, mas voltou à mesa após novas garantias discutidas com os Estados Unidos.

Trump ordena retirada de bloqueio naval

Em publicação na Truth Social, Donald Trump afirmou que o acordo com a República Islâmica do Irã estava concluído e autorizou a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz.

O presidente americano também determinou a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Na postagem, comemorou a retomada do fluxo marítimo com a frase: “Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, informou que pretende participar da assinatura do acordo em Genebra e afirmou que Trump também poderá comparecer à cerimônia.

Ormuz é peça central da crise

O Estreito de Ormuz é uma rota vital para o abastecimento global de petróleo e gás natural. O bloqueio da passagem havia ampliado a tensão no mercado energético e intensificado os efeitos da guerra no Oriente Médio.

A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em resposta, Teerã atacou Israel e aliados na região e, na prática, bloqueou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos reagiram com bloqueio ao tráfego em portos iranianos.

Com o acordo, a expectativa é de retomada gradual da navegação e redução da pressão sobre o mercado internacional de energia. Ainda assim, análises citadas pela imprensa internacional indicam que a normalização completa do fluxo pela rota pode levar tempo, devido aos impactos acumulados do conflito e da infraestrutura afetada.

G7 deve avaliar efeitos do entendimento

O acordo também deverá entrar na pauta da cúpula do G7. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os líderes das grandes potências irão discutir as consequências do pacto, o apoio ao Líbano, a reabertura de Ormuz no longo prazo e a conclusão de um acordo sobre o programa nuclear e balístico do Irã.

A negociação ocorre em meio a divergências regionais, especialmente pela inclusão do Líbano no cessar-fogo. O Irã exigia desde o início que qualquer entendimento contemplasse o país, onde Israel conduz ações contra o Hezbollah.

A última escalada envolvendo Beirute havia colocado o acordo em risco, mas a mediação internacional conseguiu preservar as negociações até o anúncio do pacto.

Questões nucleares seguem em aberto

Apesar do cessar-fogo e da previsão de reabertura de Ormuz, pontos centrais ainda deverão ser discutidos nas próximas etapas. Entre eles estão o programa nuclear iraniano, o programa balístico, eventuais sanções e garantias de segurança.

O entendimento anunciado representa uma virada diplomática após meses de confrontos, bloqueios e instabilidade no Oriente Médio. A assinatura em Genebra será a etapa decisiva para formalizar o acordo e definir os próximos compromissos entre Washington e Teerã.

 

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