
A rede estadual de educação do Paraná iniciou nesta quarta-feira (17) o projeto piloto do Tutor IA, ferramenta criada para auxiliar estudantes na elaboração e revisão de redações dentro do ambiente virtual do Redação Paraná.
A tecnologia será testada até 10 de julho em duas unidades da rede estadual: o Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba, e o Colégio Estadual Alberto Rebello Valente, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais.
A aplicação envolve estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, com o objetivo de fortalecer competências de escrita, ampliar o acompanhamento pedagógico e utilizar dados educacionais para apoiar o processo de aprendizagem.
A proposta do Tutor IA é atuar como apoio à construção textual, sem fornecer respostas prontas aos estudantes. A ferramenta orienta o planejamento, estimula a reflexão sobre o tema, acompanha a escrita e oferece feedbacks com pontos positivos e sugestões de melhoria.
Segundo a coordenadora de Educação Digital da Seed-PR, Lorena Pantaleão, a fase piloto permitirá avaliar o impacto pedagógico da inteligência artificial integrada ao Redação Paraná.
“A aplicação neste primeiro momento, em apenas duas unidades escolares, nos permite avaliar o impacto pedagógico da IA de forma integrada no Redação Paraná, identificando melhorias a serem realizadas e sua funcionalidade junto aos estudantes, para trabalharmos a expansão em toda a rede com uma ferramenta funcional e compatível com a necessidade dos alunos”, afirma.
Lorena destaca que o objetivo é instigar o raciocínio, a leitura, a argumentação e a produção textual. A tecnologia foi desenvolvida para orientar o estudante durante o processo de escrita, preservando sua autonomia e sua autoria.
O lançamento do projeto piloto aconteceu no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba, uma das escolas selecionadas para a primeira etapa.
O evento contou com a presença da equipe técnica da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), responsável pela ação, e de representantes do Google, parceiro no desenvolvimento das funcionalidades de inteligência artificial utilizadas nas plataformas educacionais da rede.
Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a nova tecnologia representa mais um suporte importante ao processo de aprendizagem.
“O Paraná é referência no uso de tecnologias digitais no apoio à aprendizagem, possuímos parcerias eficientes que nos permitem apresentar inovações que contribuem com o aprendizado dos nossos estudantes, como essa ferramenta, que busca auxiliar na produção textual, uma habilidade importante e necessária para o desenvolvimento acadêmico destes jovens”, afirmou.
Para acompanhar a implementação do piloto, serão realizadas ações presenciais nas duas escolas participantes, especialmente durante os primeiros contatos de estudantes e professores com a ferramenta.
Nesta quarta-feira, as equipes acompanharam as primeiras atividades no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba. Na quinta-feira (18), o suporte presencial será realizado no Colégio Estadual Alberto Rebello Valente, em Ponta Grossa.
As atividades contam com apoio e mediação das equipes do Google. O acompanhamento tem como objetivo observar a utilização da ferramenta, apoiar os profissionais envolvidos e reunir informações para o aprimoramento do projeto.
Segundo Lorena Pantaleão, os primeiros retornos dos estudantes foram positivos, e a expectativa é reunir evidências que permitam aperfeiçoar a ferramenta antes de uma eventual expansão para toda a rede estadual.
No Colégio Estadual Paula Gomes, a equipe pedagógica recebeu a novidade com expectativa positiva. Para a diretora Rosemary Carneiro de Souza, a ferramenta pode ajudar a engajar estudantes e professores, especialmente os alunos que já se preparam para o Enem.
“Para eles é um incentivo. Nossos alunos da terceira série do Ensino Médio já estão estudando para o Enem, os professores estão engajados nesse tema e agora é mais uma oportunidade que eles estão tendo para melhorar ainda mais essa aprendizagem. Para nós é um privilégio”, explica.
O estudante Otávio Henrique Chostak Oliveira, de 16 anos, aluno da 3ª série do Ensino Médio, participou dos primeiros testes e avaliou positivamente o recurso.
“Sempre procuro usar alguma ajuda para confirmar minhas especulações em outras ferramentas. Acho que a proposta pode ser interessante, claro que ainda está em testes, mas acho que vai melhorar a nossa experiência”, disse.
A estudante Isabelly Cristina Adriano, de 17 anos, também da 3ª série do Ensino Médio, afirmou que sua maior dificuldade é concluir os textos e que o feedback do Tutor IA pode ajudar no desenvolvimento da escrita.
“Espero muito que me ajude a evoluir, tanto aqui no colégio, mas também nas provas do Enem e vestibular e conseguir entrar numa faculdade no ano que vem”, afirmou.
O professor de Língua Portuguesa e Sociologia Alexandre Ambiel Barros Gil Duarte avaliou que a ferramenta pode contribuir para o uso correto da inteligência artificial no ambiente escolar.
Segundo ele, diferente de ferramentas que entregam respostas prontas, o Tutor IA estimula o estudante a pensar, refletir e pesquisar.
“Eles têm que aprender a utilizar a inteligência artificial da maneira correta. Este recurso parece bem interessante, porque ao invés de dar tudo escrito, faz o aluno pensar, refletir e pesquisar”, afirmou.
O professor também destacou que redações produzidas integralmente por inteligência artificial costumam apresentar estruturas padronizadas e pouca originalidade. A expectativa é que o novo recurso ajude os alunos a elaborar textos melhores, sem perder raciocínio, criatividade e identidade própria.
A professora de Língua Portuguesa e Redação Alyne de Souza Valente também acompanhou a ação e classificou a ferramenta como um avanço por estimular a escrita e a leitura.
“O fato de saber criar os prompts com as perguntas certas já é uma forma deles pensarem sobre o tema, mas uma ferramenta que os instiga a ler e escrever sem entregar tudo pronto é um salto”, afirmou.
O Tutor IA passa a integrar o ambiente do Redação Paraná, ferramenta desenvolvida pela Seed-PR em 2021 para fortalecer o ensino da Língua Portuguesa e preparar os estudantes para avaliações escolares e nacionais.
O recurso digital realiza análises automáticas das redações, avaliando critérios como coesão, coerência, gramática e argumentação, além de fornecer feedbacks personalizados em tempo real.
A plataforma também oferece suporte aos professores, com relatórios e indicadores que facilitam o acompanhamento individual e coletivo do desempenho das turmas.
A versão atualizada em 2025 foi desenvolvida com base nos critérios aplicados no Enem, reforçando o alinhamento pedagógico com práticas oficiais de avaliação. O sistema conta com banco de temas no formato exigido pelo exame, incluindo propostas já utilizadas e novas produções elaboradas pela equipe pedagógica da Seed-PR.
O recurso está disponível para todos os estudantes da rede. Em 2025, foram concluídas mais de 6 milhões de redações na ferramenta, considerando todos os gêneros textuais. Desse total, cerca de 340 mil textos foram corrigidos com apoio da IA.
Com o projeto piloto, a Secretaria da Educação busca avaliar novas formas de aplicar inteligência artificial à aprendizagem, sem substituir o trabalho pedagógico, mas oferecendo apoio à escrita, ao acompanhamento dos professores e ao desenvolvimento dos estudantes.