
Os produtores rurais do Rio Grande do Sul enfrentam um cenário de pressão econômica em 2026. Enquanto os custos de produção seguem em alta, os preços recebidos pela produção ainda permanecem abaixo dos patamares registrados há um ano.
Os dados constam no relatório mensal dos Índices de Inflação do Agronegócio do Rio Grande do Sul, divulgado pela Assessoria Econômica da Farsul. O levantamento acompanha dois indicadores: o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) e o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR).
Em abril, o IICP registrou alta de 1,55%. No acumulado do ano, o índice chega a 4,90%. Em 12 meses, a elevação é de 2,37%.
O principal fator de pressão sobre os custos em abril foi o fertilizante, que ficou 8% mais caro no mês. A alta foi influenciada por incertezas no mercado internacional de insumos e pela valorização de matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos.
O movimento reforça a continuidade da pressão sobre os custos de produção, ainda que em intensidade menor do que a observada em março.
Já os defensivos agrícolas tiveram comportamento diferente. A alta de 4% da taxa de câmbio contribuiu para reduzir os preços desses insumos, amenizando parcialmente a pressão sobre o custo total.
Mesmo assim, o resultado geral continuou positivo, indicando aumento de despesas para o produtor rural.
No acumulado em 12 meses, o IICP acelerou para 2,37%, sinalizando o avanço de uma tendência de alta dos custos após o período de deflação observado ao longo de 2025.
Do lado da receita, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais apresentou alta de 0,81% em abril.
A recuperação foi impulsionada pela valorização do leite, arroz, trigo e boi gordo. No caso do arroz e do leite, os preços seguem refletindo oferta mais baixa. O trigo apresenta elevação típica do período de entressafra, enquanto o boi gordo acompanha a virada do ciclo pecuário.
Apesar da melhora no mês, o acumulado em 12 meses permanece negativo em 9,19%. Isso significa que o produtor rural ainda recebe menos hoje do que recebia há um ano pelo mesmo conjunto de produtos.
No acumulado do ano, o IIPR registra queda de 2,11%.
Um dos pontos centrais do relatório é o descompasso entre os preços recebidos pelos produtores e os valores pagos pelos consumidores.
Enquanto o IIPR acumula queda de 9,19% em 12 meses, o IPCA Alimentos e Bebidas registra alta de 2,69% no mesmo período. Já o IPCA geral acumula 4,39%.
O contraste mostra que a inflação dos alimentos não tem origem no produtor rural. A pressão aparece nas demais etapas da cadeia produtiva, como transporte, processamento, distribuição e varejo, além de fatores macroeconômicos, como câmbio e juros.
Na prática, o relatório evidencia uma situação delicada: quem produz recebe menos do que há um ano, enquanto quem consome paga mais pelos alimentos.
A combinação entre custos crescentes e preços recebidos ainda deprimidos reduz as margens do produtor rural e exige maior controle sobre planejamento, gestão financeira e decisões de investimento.
O aumento dos fertilizantes impacta diretamente culturas agrícolas dependentes de adubação, enquanto a recuperação parcial de alguns produtos ainda não é suficiente para compensar a queda acumulada ao longo dos últimos 12 meses.
O cenário também reforça a importância de acompanhar os indicadores do agronegócio de forma integrada, considerando não apenas o preço de venda, mas também o comportamento dos insumos, do câmbio, da logística e das demais etapas da cadeia.
Em abril de 2026, o IICP, que mede os custos de produção, subiu 1,55% no mês, acumulou 4,90% no ano e 2,37% em 12 meses.
Já o IIPR, que acompanha os preços recebidos pelos produtores rurais, avançou 0,81% em abril, mas acumula queda de 2,11% no ano e retração de 9,19% em 12 meses.
Os números indicam que, apesar de alguma recuperação recente nos preços recebidos, o produtor ainda opera em ambiente de custos elevados, receita pressionada e forte diferença entre o valor recebido no campo e o preço pago pelo consumidor final.