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Área de milho cresce 31% na primeira safra do Paraná e deve bater recorde na segunda

Relatório do Deral aponta avanço do cereal sobre áreas antes ocupadas por soja e trigo, com expectativa de mais de 21 milhões de toneladas nas duas safras

Por: João Livi Fonte: Deral
29/05/2026 às 17h25 Atualizada em 29/05/2026 às 17h32
Área de milho cresce 31% na primeira safra do Paraná e deve bater recorde na segunda
Área cultivada com milho cresceu 31% na primeira safra do Paraná e deve atingir recorde na segunda safra. (Foto: Alessandro Vieira)

A área cultivada com milho na primeira safra do Paraná cresceu 31%, conforme relatório mensal de safra divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A cultura ocupou 364,9 mil hectares, diante dos 278,3 mil hectares registrados na safra 2024/2025.

O principal fator para esse avanço foi a maior estabilidade dos preços do milho em relação à soja, que apresentou cenário comercial menos atrativo ao produtor. Com isso, parte dos agricultores optou por ampliar a área destinada ao cereal.

A produção da primeira safra de milho ultrapassou 4 milhões de toneladas. Já a soja encerrou o ciclo com 21,7 milhões de toneladas, resultado que coloca a colheita entre as três maiores já registradas no Paraná.

Preço influenciou decisão

De acordo com o agrônomo do Deral, Edmar Gervásio, o aumento da área de milho foi motivado principalmente pelo cenário de comercialização da soja.

“O milho tem uma capacidade produtiva maior do que a soja, que está com preços não muito atrativos. Os preços mais estáveis levaram o produtor a optar pelo milho. A produção chegou a mais de 4 milhões de toneladas na primeira safra”, destacou.

A mudança evidencia a capacidade de adaptação dos produtores diante das condições de mercado. Mesmo em um estado tradicionalmente forte na soja, o milho ganhou espaço por apresentar maior previsibilidade econômica neste ciclo.

Segunda safra recorde

Na segunda safra, o avanço do milho foi ainda mais expressivo. A área cultivada chegou a 2,9 milhões de hectares, crescimento de 7% em relação à safra anterior e a maior área da história do Paraná.

O cereal avançou principalmente sobre áreas antes destinadas ao trigo. Se não houver fenômeno climático adverso, a expectativa é que a produção da segunda safra ultrapasse 17,5 milhões de toneladas.

Somadas, as duas safras de milho podem render mais de 21 milhões de toneladas no Estado.

“As últimas geadas trouxeram problemas pontuais na região Sul do Estado que não têm relevância para a cultura do milho. Se não tiver geada nos próximos 15 dias, boa parte dessas áreas vai ter o seu potencial produtivo mais definido”, explicou Gervásio.

Trigo em bom desenvolvimento

O relatório também aponta que os cultivos de trigo estão em bom estado de desenvolvimento. Mais de 61% da área prevista já foi plantada no Paraná.

A estimativa é que a cultura ocupe 722 mil hectares, com produção projetada em 2,4 milhões de toneladas.

Para Marcelo Garrido, do Deral, a previsão de um El Niño intenso no segundo semestre, com menos frio e mais chuvas, pode indicar um inverno menos rigoroso. Esse cenário tende a favorecer o desenvolvimento do trigo e também o plantio da próxima safra de verão.

Batata e cebola

Entre as olerícolas, a primeira safra de batata foi concluída com redução de área e produção em relação ao ciclo anterior. Segundo Paulo Andrade, do Deral, as chuvas prejudicaram a colheita da segunda safra.

A produção estimada teve queda de 2%, enquanto a produtividade foi reduzida em 6%.

No caso da cebola, a área cultivada segue em queda no Brasil e no Paraná. Os primeiros números da safra 2026/2027 indicam 212 hectares plantados, o que representa 9% da área projetada de 2,4 mil hectares.

A expectativa é de colher 93,3 mil toneladas, com início previsto para outubro, dependendo das condições climáticas.

De acordo com Andrade, a principal razão para a redução da área plantada é a pressão provocada pelo excesso de produção dos últimos anos, que resultou em preços mais baixos ao produtor.

Apesar da retração na área, o uso de novas tecnologias tem elevado a produtividade. Com híbridos, semeadura direta e irrigação, o rendimento passou de 26.092 quilos por hectare em 2018 para 39.075 quilos por hectare nesta safra.

Em 2024, o Paraná respondeu por 5,6% da produção brasileira de cebolas, sendo o sétimo maior produtor nacional. As regiões de Guarapuava, Irati e Curitiba concentram a atividade no Estado.

Leite e avicultura

O boletim semanal do Deral também aponta valorização em toda a cadeia do leite, impulsionada pela menor captação do produto pelas indústrias.

O preço do leite cru pago ao produtor aumentou 13% em comparação à média de abril.

Na avicultura, o Paraná mantém liderança absoluta nas exportações. No primeiro quadrimestre, o Estado embarcou 791,1 mil toneladas e faturou US$ 1,43 bilhão.

O volume exportado é 6,2% superior ao período anterior, enquanto o faturamento cresceu 4,1%. A demanda internacional segue forte, especialmente por parte da China e do Japão.

Milho ganha protagonismo

O avanço do milho nas duas safras reforça a importância estratégica do cereal para a agricultura paranaense. Além de responder às condições de mercado, a ampliação da área também impacta cadeias como proteína animal, cooperativas, armazenagem, transporte e agroindústria.

Com a maior área da história na segunda safra e expectativa de produção elevada, o milho consolida seu papel no planejamento agrícola do Estado, embora o resultado final ainda dependa do comportamento climático nas próximas semanas.

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