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Possível formação de El Niño acende alerta para o agronegócio na safra 2026/27

Estudo da Nottus aponta que fenômeno pode alterar chuvas, temperaturas e calendário agrícola em regiões produtoras de café, soja, milho, trigo e frutas de inverno

Por: João Livi Fonte: Assessoria
27/05/2026 às 16h39
Possível formação de El Niño acende alerta para o agronegócio na safra 2026/27
Possível formação de El Niño em 2026 exige atenção do agronegócio para o planejamento da safra 2026/27.

A possibilidade de formação de um El Niño ao longo de 2026 exige atenção do agronegócio brasileiro para os próximos ciclos agrícolas. Análise da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, indica que o fenômeno pode influenciar o regime de chuvas, as temperaturas e o calendário de produção em diferentes regiões do país.

O estudo “El Niño 2026: cenários, critérios e impactos no Brasil” foi elaborado com base em projeções da NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, e aponta elevada probabilidade de transição para o fenômeno entre maio e julho deste ano.

O cenário mais provável, neste momento, é de um evento inicialmente fraco a moderado, com possibilidade de evolução ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027.

Planejamento climático

Para a meteorologista e sócia-executiva da Nottus, Desirée Brandt, o ponto de atenção está na combinação entre o El Niño e o atual contexto de aquecimento global.

“O comportamento climático tende a ficar mais irregular em algumas regiões produtoras. Por isso, o acompanhamento das previsões meteorológicas e do calendário agrícola ganha ainda mais importância para o planejamento da safra”, destaca.

A irregularidade climática pode afetar decisões importantes no campo, como janela de plantio, manejo de lavouras, colheita, secagem de grãos, uso de defensivos, logística e armazenamento.

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Mais do que observar apenas a intensidade do fenômeno, o estudo reforça a necessidade de monitorar a evolução dos cenários e antecipar estratégias de manejo.

Café no Sudeste

No Sudeste, as regiões produtoras de café de Minas Gerais, especialmente o Sul do estado e o Cerrado Mineiro, estão no radar das análises climáticas para os próximos meses.

Em um primeiro momento, ainda há possibilidade de geadas pontuais nas áreas mais elevadas do Sul de Minas durante o inverno. Com o avanço do El Niño, porém, a tendência é de temperaturas mais elevadas e aumento da frequência de instabilidades atmosféricas.

Segundo Desirée, regiões como Três Pontas e Patrocínio podem registrar períodos mais frequentes de chuva em fases importantes da colheita.

“A frequência das chuvas tende a exigir maior atenção no manejo da colheita e da secagem dos grãos. Além disso, temperaturas mais elevadas associadas à umidade podem favorecer floradas fora do período habitual”, afirma.

O cenário exige atenção adicional porque 2027 deve ser um ano de bienalidade negativa para o café, fase naturalmente associada à menor produtividade.

Culturas de inverno no Sul

No Sul do Brasil, o El Niño pode influenciar diretamente culturas de inverno. A redução das horas de frio pode afetar lavouras e produções que dependem de baixas temperaturas, como trigo e frutas típicas de clima frio.

Outro ponto de atenção é o aumento da frequência das chuvas, que pode interferir no período de colheita, na qualidade dos grãos e na logística agrícola durante o segundo semestre.

Conforme o levantamento da Nottus, o produtor precisará acompanhar com atenção os períodos de instabilidade, especialmente para ajustar práticas de manejo e reduzir riscos em fases críticas das culturas.

Soja e milho safrinha

Para a soja e o milho segunda safra, o principal fator de risco está na irregularidade das chuvas no Centro-Oeste e em parte do Sudeste durante o próximo ciclo agrícola.

“As chuvas devem ocorrer ao longo da safra, mas com maior irregularidade em alguns períodos. Esse quadro exige atenção ao calendário de plantio, principalmente porque atrasos na soja podem reduzir a janela ideal para o milho segunda safra”, explica Desirée.

A janela de plantio é decisiva para o milho safrinha. Quando a semeadura da soja atrasa, o milho pode ser implantado fora do período mais favorável, aumentando a exposição a estiagens, ondas de calor ou queda de produtividade.

Ondas de calor

O estudo também aponta maior frequência de ondas de calor e distribuição irregular das precipitações no Centro-Oeste e Sudeste ao longo do próximo semestre.

Esse tipo de cenário exige maior integração entre previsão meteorológica, planejamento agronômico e tomada de decisão no campo. A antecipação pode ajudar produtores, cooperativas e empresas do setor a ajustarem calendário, compras de insumos, manejo e estratégias de mitigação de riscos.

“O monitoramento meteorológico ajuda o produtor a tomar decisões com mais previsibilidade ao longo da safra”, conclui a meteorologista.

Atenção para a safra 2026/27

A possível formação do El Niño não significa, por si só, perdas generalizadas. No entanto, o fenômeno altera padrões climáticos e pode ampliar a irregularidade em regiões estratégicas para a produção agropecuária brasileira.

Por isso, o alerta da Nottus reforça a importância de acompanhar previsões atualizadas, revisar o planejamento da safra 2026/27 e adotar estratégias regionais conforme a cultura, o solo, a janela de plantio e o histórico climático de cada área.

Em um cenário de clima mais instável, informação meteorológica qualificada passa a ser uma ferramenta essencial para reduzir riscos, proteger produtividade e melhorar a tomada de decisão no agronegócio.

 

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