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Revisão criminal de Bolsonaro ficará sob relatoria de Kassio Nunes Marques no STF

Defesa do ex-presidente tenta anular condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e questiona a regularidade do julgamento realizado pela Primeira Turma

Por: João Livi
11/05/2026 às 19h09
Revisão criminal de Bolsonaro ficará sob relatoria de Kassio Nunes Marques no STF
Ministro Kassio Nunes Marques foi sorteado relator da revisão criminal apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro no STF.

O ministro Kassio Nunes Marques foi sorteado nesta segunda-feira (11) relator do pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ação foi protocolada na última sexta-feira (8) e busca anular a condenação de 27 anos de prisão imposta ao ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.

O sorteio não incluiu os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, integrantes da Primeira Turma que julgou Bolsonaro. O ministro Luiz Fux, hoje na Segunda Turma, também ficou fora por ter participado do julgamento antes da transferência.

Na petição enviada ao Supremo, os advogados pedem a absolvição de Bolsonaro dos crimes contra o Estado Democrático de Direito e alegam que o julgamento realizado pela Primeira Turma foi irregular. O documento tem 90 páginas e é assinado pelos advogados Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury.

Defesa pede novo exame do caso

A revisão criminal busca reabrir a análise da condenação já transitada em julgado. A defesa argumenta que a ação não tem relação direta com a nova lei da dosimetria aprovada pelo Congresso, que pode reduzir penas de condenados pelos atos golpistas.

Um dos advogados do ex-presidente afirmou que a discussão sobre dosimetria deve ocorrer na execução penal, enquanto a revisão criminal teria como objetivo reparar supostas violações legais em processo já encerrado.

No pedido, os advogados também solicitam que um novo relator seja sorteado na Segunda Turma para analisar o caso, alegando necessidade de imparcialidade. O processo que resultou na condenação de Bolsonaro foi relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

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Condenação é contestada

A defesa pede a revisão das condenações por organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Segundo os advogados, não teria havido demonstração concreta de participação individual de Bolsonaro nem atos executórios que comprovassem tentativa de depor o governo democraticamente eleito com uso de violência ou grave ameaça.

O pedido também busca afastar as acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A defesa sustenta que não há provas de autoria, participação, instigação ou vínculo subjetivo do ex-presidente com os executores dos ataques à sede dos Três Poderes.

Primeira Turma condenou por 4 a 1

Em setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Outros sete réus envolvidos na chamada trama golpista também foram condenados pelos mesmos crimes, em placar de 4 a 1.

Na última sexta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promulgou a Lei da Dosimetria, que prevê revisão das penas de condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto havia sido vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.

Próximos passos no Supremo

Com a definição de Kassio Nunes Marques como relator, caberá ao ministro analisar os pedidos apresentados pela defesa e conduzir a tramitação da revisão criminal no STF.

Os advogados também pedem manifestação da Procuradoria-Geral da República e autorização para apresentar provas que sustentem os argumentos da defesa.

Caso os pedidos processuais não sejam acolhidos, a defesa requer a absolvição completa de Bolsonaro de todos os crimes relacionados à trama golpista.

 

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