
Os Correios registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, resultado que mais que triplica o déficit do ano anterior e acende um alerta sobre a situação financeira da estatal. Os números foram apresentados como parte do balanço dos primeiros meses do plano de reestruturação da empresa.
O rombo ocorre em meio à queda da receita e ao aumento expressivo de despesas, evidenciando dificuldades estruturais em um cenário de forte concorrência no setor logístico, especialmente com o avanço de empresas privadas e do comércio eletrônico.
A receita bruta dos Correios fechou 2025 em R$ 17,3 bilhões, representando uma redução de 11,35% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os gastos cresceram de forma significativa, principalmente com o pagamento de precatórios, que somaram R$ 6,4 bilhões - alta de 55% na comparação anual.
Com esse cenário, a estatal encerrou o ano com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, ampliando ainda mais a pressão sobre suas contas.
Para enfrentar o desequilíbrio financeiro, os Correios iniciaram um plano de reestruturação no fim de 2025, viabilizado por um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras. O objetivo é recuperar a liquidez, estabilizar os resultados e, posteriormente, retomar o crescimento.
Entre as medidas adotadas está o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que tinha como meta a adesão de 10 mil funcionários. No entanto, apenas 3.181 aderiram, o equivalente a 32% do previsto. Apesar do resultado abaixo da meta, a empresa aponta que os desligamentos já geraram economia e devem contribuir para redução de custos nos próximos anos.
Outro desafio enfrentado pela estatal é a elevada quantidade de unidades deficitárias. Dos cerca de 10 mil pontos de atendimento, aproximadamente 85% operam no vermelho. Como parte do plano, já foram fechadas dezenas de unidades, e há previsão de redução de até mil pontos.
Além disso, a empresa busca reforçar o caixa com a venda de imóveis, com potencial de arrecadação estimado em R$ 1,5 bilhão.
O plano de reestruturação está dividido em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento. A expectativa da estatal é reduzir o prejuízo já em 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027.