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Agronegócio responde por 50,2% das exportações brasileiras em maio

Setor exportou US$ 16 bilhões no mês, cresceu 8,2% em relação ao ano anterior e movimentou vendas externas em 1.496 municípios brasileiros

Por: João Livi Fonte: CNM
05/06/2026 às 13h45
Agronegócio responde por 50,2% das exportações brasileiras em maio
Agronegócio respondeu por 50,2% das exportações brasileiras em maio, com US$ 16 bilhões em vendas externas. (Foto: Magnific)

As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16 bilhões em maio de 2026, representando 50,2% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no período. O resultado aponta crescimento de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o setor havia registrado US$ 14,8 bilhões.

Apesar do avanço na comparação anual, houve queda de 3,7% frente ao mês de abril. Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que avalia o desempenho do agro nas exportações brasileiras e seus reflexos nas economias locais.

Para a CNM, os números reforçam o papel estratégico do agronegócio na geração de riqueza e indicam avanço na descentralização das exportações. Em maio, 1.496 municípios brasileiros registraram vendas externas do agro, alta de 2,3% em relação aos 1.463 municípios exportadores no mesmo período do ano anterior.

Municípios exportadores

O levantamento destaca que o avanço das exportações do agro tem impacto direto nas economias locais, com geração de emprego, renda e movimentação das cadeias produtivas nos municípios.

Entre os principais destaques aparece Rio Verde, em Goiás, que registrou US$ 300,8 milhões em exportações, impulsionado principalmente pela venda de soja em grãos.

A presença de quase 1.500 municípios na pauta exportadora evidencia a capilaridade do agronegócio brasileiro, que movimenta desde grandes polos produtivos até cidades de menor porte com forte ligação ao campo, à agroindústria e à logística.

Saldo positivo no ano

No acumulado de janeiro a maio, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 70,55 bilhões, crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações acumuladas somaram US$ 8,25 bilhões, queda de 3,4%. Com isso, o saldo da balança comercial do agronegócio no ano chegou a US$ 62,3 bilhões.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o setor respondeu por 47,5% de todas as vendas externas brasileiras.

Em maio, as importações de produtos agropecuários alcançaram US$ 1,61 bilhão, recuo de 3,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. O trigo liderou a pauta de importações do setor, com US$ 134,2 milhões.

Soja lidera a pauta

A soja em grãos manteve a liderança isolada entre os produtos mais exportados pelo agronegócio brasileiro. Em maio, o produto movimentou US$ 6,31 bilhões, alta de 14,6% em relação ao ano anterior.

O grão respondeu por 39,4% de toda a pauta exportadora do agro e foi o principal item vendido ao exterior por 169 municípios brasileiros.

Na segunda posição ficou a carne bovina in natura, com US$ 1,7 bilhão. O resultado representa forte crescimento de 50,2% em relação ao ano anterior, impulsionado por aumento de 25% no preço médio.

O farelo de soja ocupou o terceiro lugar, com US$ 954,2 milhões, alta de 20,7% em valor na comparação anual.

Mato Grosso e São Paulo em destaque

Entre os estados, Mato Grosso liderou as exportações do agronegócio em maio, com US$ 3,14 bilhões. O valor representa 19,6% de tudo o que o agro brasileiro exportou no mês.

O desempenho mato-grossense foi construído a partir de uma base concentrada em 80 municípios exportadores, responsáveis pelo envio de 40 produtos agropecuários diferentes.

São Paulo registrou US$ 2,32 bilhões em exportações no mês, equivalente a 14,5% do total nacional. Embora tenha apresentado leve retração de 2,7% no acumulado do ano, alcançando US$ 10,85 bilhões, o agronegócio paulista se destaca pela diversidade.

Em maio, 323 municípios paulistas registraram embarques, comercializando 317 produtos agropecuários diferentes.

China segue como maior destino

A China permaneceu como maior parceira comercial do agronegócio brasileiro. Em maio, o país asiático absorveu US$ 6,28 bilhões das vendas externas do setor, tendo a soja em grãos como principal produto.

A China foi o principal destino das exportações de 274 municípios brasileiros.

Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição, com US$ 837 milhões, com destaque para a carne bovina in natura. No entanto, o valor representa queda de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A Holanda fechou a lista dos três principais destinos, com US$ 605,8 milhões, alta de 25%.

Alerta com as tarifas dos EUA

Apesar dos resultados positivos da balança agropecuária, a CNM aponta preocupação com as sobretaxas americanas e seus impactos sobre cadeias exportadoras brasileiras.

No acumulado dos últimos 12 meses, as exportações do agro aos Estados Unidos totalizaram US$ 9,8 bilhões, queda de 25,2%, equivalente a US$ 3,32 bilhões a menos na comparação com o mesmo período anterior.

Os setores mais afetados foram a cadeia florestal, café, cana-de-açúcar e suco de laranja.

Os dados consolidados por grupo de produtos mostram que o segmento relacionado ao processamento de madeira movimentou US$ 1,1 bilhão nos últimos 12 meses, queda de 37,7%, concentrada principalmente em exportadores do Paraná e de Santa Catarina.

Reflexos no emprego

Na indústria de transformação florestal, os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já aparecem no mercado de trabalho.

Entre junho de 2025 e abril de 2026, o setor registrou saldo negativo de 10 mil vagas com carteira assinada. No período anterior, o saldo negativo havia sido de 500 postos.

A queda está relacionada à retração de 8,8% nas contratações. Municípios localizados em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina concentraram 50% das vagas fechadas nos últimos 11 meses.

O cenário reforça que, mesmo diante do bom desempenho geral do agronegócio brasileiro nas exportações, determinados segmentos seguem pressionados por barreiras comerciais, custos e mudanças no ambiente internacional.

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