
O governo do Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a liberação total da passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz, em meio ao período de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano. A medida foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, por meio de publicação nas redes sociais.
A decisão ocorre após semanas de tensão na região e representa um alívio momentâneo para o comércio internacional, especialmente no setor energético.
Apesar da reabertura para navios comerciais, o Irã manteve limitações ao tráfego militar. Segundo a Guarda Revolucionária Iraniana, embarcações militares continuam proibidas de atravessar o estreito.
Além disso, o governo iraniano determinou que navios civis devem seguir rotas específicas e obter autorização prévia para transitar pela região.
Logo após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se publicamente, agradecendo a iniciativa iraniana. Em seguida, afirmou que o Irã teria concordado em não voltar a fechar o estreito, declaração que não foi confirmada oficialmente pelo governo iraniano.
Trump também reforçou que o bloqueio naval americano contra portos iranianos permanece em vigor até a formalização de um acordo de paz.
A reabertura do Estreito de Ormuz teve reflexos diretos nos mercados internacionais. Os preços do petróleo registraram forte queda ainda durante a manhã.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o barril do Brent recuava 9,70%, sendo cotado a US$ 89,80, enquanto o WTI apresentava queda de 10,50%, chegando a US$ 84,62.
O movimento também influenciou bolsas de valores e o câmbio, com alta nos mercados acionários e recuo do dólar. No Brasil, a queda do petróleo impactou negativamente ações ligadas ao setor, limitando o desempenho do Ibovespa.
Mesmo com a liberação do tráfego comercial, o cenário ainda é considerado instável. O governo norte-americano condiciona o fim das restrições ao Irã à conclusão de um acordo mais amplo.
Na quinta-feira (16), Trump afirmou que as negociações estão avançadas e que o Irã estaria próximo de aceitar condições como a entrega de reservas de urânio enriquecido. Paralelamente, Israel e Líbano firmaram um cessar-fogo de 10 dias, considerado um dos fatores que viabilizaram o anúncio iraniano.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, e qualquer alteração em seu funcionamento impacta diretamente a economia global.
A reabertura sinaliza um momento de trégua, mas a manutenção de restrições e a continuidade das negociações indicam que o cenário ainda depende de definições diplomáticas.