
O ano de 2025 foi desafiador para a pecuária leiteira brasileira e latino-americana. Juros elevados, crédito restrito e queda no preço do leite criaram um ambiente de cautela, levando muitos produtores a adiar investimentos. Ainda assim, a automação continuou avançando como estratégia de eficiência e sustentabilidade do negócio.
No Brasil, a taxa Selic chegou a 15% ao longo do ano, com custo do crédito bancário ultrapassando 19% ao ano. O cenário impactou diretamente a decisão de compra de tecnologias e expansão de estruturas.
“Foi um ano difícil para todo o mercado do leite. O preço caiu ao longo de 2025 e gerou muita insegurança. As vendas se estabilizaram e ficaram muito próximas do patamar de 2024”, afirma Edison Acherman, gerente da Lely América Latina.
Segundo o executivo, o comportamento foi semelhante em países como Argentina, Chile e Uruguai. A instabilidade econômica e política contribuiu para um perfil mais conservador do produtor rural.
Na comparação com mercados mais maduros - como Europa e América do Norte - a América Latina cresceu em ritmo mais lento. Nessas regiões, maior previsibilidade econômica e acesso facilitado ao crédito sustentaram um avanço mais consistente na adoção de tecnologias.
Globalmente, a Lely superou € 1 bilhão em vendas em 2025, com crescimento de 18% na receita, impulsionado principalmente pela expansão da automação em mercados consolidados.
“O potencial da América Latina é enorme, mas dependemos de condições mais adequadas de financiamento, com prazos e juros compatíveis com a realidade da atividade”, avalia Acherman.
Mesmo em cenário adverso, a ordenha robótica permaneceu como principal destino dos investimentos realizados. A tecnologia concentra a maior parte da demanda por automação na pecuária leiteira.
Para o setor, a busca por tecnologia não é apenas conjuntural, mas estrutural. Entre os principais fatores estão:
Escassez de mão de obra qualificada
Necessidade de maior eficiência produtiva
Gestão baseada em dados
Melhoria no bem-estar animal
Qualidade de vida do produtor
“O produtor busca eficiência e melhor gestão. O robô fornece dados sobre saúde do rebanho, produção e desempenho da fazenda, algo essencial no cenário atual”, explica o executivo.
Além disso, sistemas automatizados permitem operar com equipes menores e mais qualificadas, reduzindo custos operacionais no médio prazo.
A expectativa do setor é de recuperação gradual a partir de 2026, com ambiente econômico mais estável e condições de financiamento mais favoráveis.
Na Argentina, por exemplo, já houve melhora em relação a 2024, mesmo com restrições de crédito. A perspectiva é de inflação mais controlada e maior confiança do produtor.
“Os próximos anos devem ser estratégicos para a expansão da ordenha robótica na América Latina. A tecnologia amplia o controle da qualidade do leite, melhora o bem-estar animal e aumenta a eficiência diária”, afirma Acherman.
Apesar do crescimento mais lento em 2025, especialistas apontam que a região ainda está na primeira década de adoção estruturada da automação na pecuária leiteira.
Há espaço para expansão tanto em propriedades familiares quanto em grandes operações, especialmente à medida que financiamento e políticas de incentivo se tornem mais adequados à realidade do campo.