
Antes mesmo do amanhecer desta terça-feira (3), embarcações de pescadores já deixavam a margem do Lago de Itaipu, na Colônia São Pedro, em Santa Terezinha de Itaipu. Desta vez, a rotina foi diferente: no lugar das redes de pesca, a missão era recolher resíduos sólidos acumulados nas águas e margens do reservatório, em mais uma etapa da 13ª Campanha de Limpeza do Lago de Itaipu.
A ação integra o convênio Linha Ecológica, firmado entre a Itaipu Binacional e o Conselho dos Municípios Lindeiros, e alia preservação ambiental, educação e valorização do papel social dos pescadores.
A 13ª edição da campanha teve início em 5 de novembro e segue até 10 de fevereiro, envolvendo 12 colônias ou associações de pesca que atuam no território brasileiro do Lago de Itaipu. Como incentivo ao trabalho voluntário, a Itaipu fornece equipamentos de proteção individual, combustível, óleo para as embarcações, sacos de lixo e alimentação no dia da atividade.
Além da retirada dos resíduos, a iniciativa busca fortalecer o protagonismo dos pescadores e ampliar a conscientização ambiental nas comunidades. Parte do material recolhido é destinada às Unidades de Valorização de Recicláveis, com média de 30% dos resíduos encaminhados para reciclagem.
Para quem vive da pesca, o cuidado com o reservatório é visto como parte da própria atividade. O pescador Emídio Moro, que atua no lago desde 2014, destaca que o principal objetivo do mutirão vai além da limpeza. Ele chama atenção para o descarte inadequado feito por frequentadores das margens, especialmente latas de alumínio e garrafas plásticas, que representam riscos à qualidade da água e à vida dos peixes.
A pescadora Sônia Maria Gimenez reforça que a preservação do lago está diretamente ligada ao sustento das famílias que dependem da pesca. Segundo ela, a coleta de resíduos acaba sendo incorporada à rotina diária, e o trabalho coletivo amplia os resultados. A orientação aos visitantes, conforme relata, é simples: recolher o próprio lixo e levá-lo de volta.
Segundo o técnico da Divisão de Reservatório e Áreas Protegidas da Itaipu, Vilmar Gerônimo Bolzon, a participação direta dos pescadores é estratégica para o sucesso da campanha. Ele destaca que os mutirões fortalecem a parceria entre a usina e as colônias de pesca e ampliam o alcance das ações ambientais.
O acompanhamento das campanhas também indica resultados positivos. De acordo com Bolzon, há uma redução gradual na quantidade de resíduos recolhidos, sinalizando maior conscientização da população. O benefício, segundo ele, é coletivo: ambiente mais limpo, melhor qualidade da água, mais peixe, mais energia e melhores condições para o lazer.
Tradicionalmente realizadas durante o período da piracema, as campanhas retiram entre 20 e 30 toneladas de lixo do reservatório a cada edição. No balanço parcial deste ano, já foram recolhidas aproximadamente nove toneladas de resíduos, com a participação de mais de 400 pescadores.
A etapa realizada em Santa Terezinha de Itaipu foi a penúltima da edição. O encerramento acontece em Foz do Iguaçu, no dia 10. Ao longo da campanha, os mutirões passaram por Itaipulândia, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado, Santa Helena e São Miguel do Iguaçu.