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Paraná consolida quase 340 RPPNs e amplia proteção ambiental para futuras gerações

Reservas privadas somam mais de 56 mil hectares protegidos e reforçam a conservação da Mata Atlântica, com destaque para ações no litoral paranaense

Por: João Livi Fonte: Assessoria
26/01/2026 às 09h35
Paraná consolida quase 340 RPPNs e amplia proteção ambiental para futuras gerações
Reservas Particulares do Patrimônio Natural ampliam a proteção da Mata Atlântica e reforçam a conservação ambiental no litoral do Paraná. (Foto: Divulgação)

O Paraná vem fortalecendo de forma consistente a conservação ambiental ao alcançar cerca de 340 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) oficialmente reconhecidas. Ao todo, são 339 reservas privadas que protegem mais de 56 mil hectares, consolidando o Estado como referência nacional na participação da iniciativa privada na preservação da biodiversidade.

Criadas de maneira voluntária por proprietários de áreas urbanas ou rurais, as RPPNs integram o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e possuem caráter permanente. Uma vez instituídas, essas áreas ficam gravadas em perpetuidade na matrícula do imóvel, garantindo a proteção ambiental independentemente de venda, herança ou mudança de titularidade.

Conservação definitiva e papel estratégico

As RPPNs têm como finalidade central a conservação da diversidade biológica. Mesmo classificadas como unidades de uso sustentável, seguem regras rigorosas de manejo, semelhantes às de áreas de proteção integral. Nessas reservas não é permitida exploração produtiva dos recursos naturais, sendo autorizadas apenas atividades como pesquisa científica, educação ambiental e visitação controlada, desde que previstas em plano de manejo.

No Paraná, a maior parte das RPPNs está sob reconhecimento estadual, segundo dados do Instituto Água e Terra (IAT), atualizados em novembro de 2025. No litoral, essas reservas assumem papel estratégico na proteção da Mata Atlântica e dos ecossistemas do Lagamar Paranaense, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do país.

Destaque para o litoral paranaense

Municípios como Guaraqueçaba, Morretes, Antonina e Paranaguá concentram importantes RPPNs, que ajudam a formar corredores ecológicos entre grandes áreas protegidas. Essa conexão entre fragmentos florestais é fundamental para a manutenção da fauna, da flora e dos serviços ecossistêmicos.

Além do valor ambiental, as RPPNs também geram impactos positivos no desenvolvimento local. Quando abertas à visitação, impulsionam o turismo de natureza e contribuem para a economia regional, além de influenciar positivamente a arrecadação municipal por meio do ICMS Ecológico.

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Projetos que impulsionam as RPPNs

No litoral do Paraná, a criação e a consolidação de RPPNs têm sido fortalecidas por projetos apoiados pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). Iniciado em 2021, o programa fomenta ações de conservação, pesquisa e uso sustentável dos recursos naturais.

Entre as iniciativas estão projetos executados pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, que atuam tanto na implementação de reservas já existentes quanto na criação de novas RPPNs. As ações incluem elaboração de planos de manejo, instalação de sinalização, melhoria de acessos, infraestrutura de proteção e apoio à pesquisa científica.

Na fase mais recente, os projetos avançam para a criação de uma nova RPPN federal em Morretes e o fortalecimento da RPPN Encontro das Águas, em Paranaguá, ampliando a proteção de áreas consideradas prioritárias para a biodiversidade.

Desafios e necessidade de incentivos

Apesar dos avanços, a ampliação das RPPNs ainda enfrenta obstáculos, especialmente relacionados à falta de incentivos fiscais e aos custos iniciais do processo, como regularização fundiária, georreferenciamento e elaboração de estudos técnicos. Especialistas destacam que programas de apoio são decisivos para viabilizar novas reservas e estimular maior participação do setor privado.

Investimento em conservação

O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná é financiado por recursos provenientes de um Termo de Acordo Judicial firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001. Ao longo de dez anos, mais de R$ 110 milhões serão destinados a projetos estratégicos, transformando um passivo ambiental em um dos maiores investimentos já realizados em conservação no litoral paranaense.

Com governança compartilhada entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e universidades, o programa reforça o compromisso do Paraná com a proteção ambiental de longo prazo e com a construção de um legado sustentável para as próximas gerações.

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