
Os mais experientes dirão que maio é o melhor mês para visitar os locais marcados pelo nascimento, morte e ressurreição de Jesus. É auge da primavera com temperaturas amenas e não chove. Seguindo a dica, em maio de 2014, tivemos o privilégio de visitar diversos lugares de interesse histórico e religioso na Terra Santa.
Sítios tradicionalmente associados às narrativas bíblicas são os lugares mais procurados. Neste caso, não pode ficar de fora o Monte das Oliveiras, o Getsêmani, o sepulcro de Jesus, o Monte das Bem-aventuranças e o Mar da Galileia. Contudo, há outros ambientes fascinantes que impelem o visitante a respirar com emoção o ar do lugar à medida que brota a indagação: foi aqui mesmo que Jesus caminhou?
Pode-se perceber a Terra Santa através de muitas lentes. A fisionomia da paisagem ou a formação geológica, poderão seduzir estudiosos que se dedicam à gênese do ambiente e de como ele se apresenta ao espectador. Nos impressionou perceber, por exemplo, que o basalto, abundante no oeste do Paraná, foi largamente utilizado na edificação de casas nas aldeias de Cafarnaum e Corazim, hoje em ruínas. Por outro lado, perde-se muito não estando atento aos sítios arqueológicos que se materializam ao longo da jornada.
Parafraseando o geógrafo e historiador francês Eric Dardel, diria que vale a pena sair da zona de conforto e passar pela experiência de não se deixar apenas observar tal como inseto em algum
terrário, mas por uma geografia viva, que libere a realização da existência, na qual a terra onde se põe o pé possa se transformar numa possibilidade essencial do seu destino.