A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, deu um passo inédito na educação inclusiva do estado ao lançar o primeiro curso de graduação em Educação Especial Inclusiva. Desenvolvida em parceria com o Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR Equidade), iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Ministério da Educação, a licenciatura busca suprir a crescente demanda por profissionais capacitados para atuar na educação de pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
Mais do que um acesso garantido à escola, a educação inclusiva exige qualidade de ensino, metodologias adaptadas, materiais acessíveis e professores preparados para acolher a diversidade. O novo curso reflete esse compromisso ao capacitar docentes que poderão atuar tanto no ensino regular quanto em instituições especializadas, centros de atendimento, projetos sociais e formulação de políticas públicas voltadas à inclusão.
A matriz curricular foi estruturada para unir teoria e prática, permitindo que os estudantes compreendam os fundamentos da educação especial e desenvolvam habilidades para criar estratégias pedagógicas eficazes. Entre as disciplinas ofertadas, destacam-se "Formação de professores para educação especial inclusiva", "Acessibilidade, sociedade e educação", "Educação de alunos com transtornos do espectro autista (TEA)" e "Políticas públicas educacionais e diversidade cultural".
O diferencial do curso está na sua abordagem prática. Os alunos participam do Programa de Educação Especial da Unioeste (PEE), que os coloca em contato com situações reais da educação inclusiva, aproximando teoria e vivência.
Para a coordenadora do curso, Tânia Martins, a formação de novos educadores nessa área é fundamental para atender às necessidades atuais da educação básica. "A demanda por professores qualificados para atuar com alunos com deficiência está em todas as etapas da educação, desde a infantil até o ensino superior. Esse curso vem suprir essa carência e preparar profissionais para transformar a realidade educacional", afirma.
Jeferti dos Santos Vital, estudante da graduação, destaca que a necessidade de se especializar motivou sua escolha pelo curso. "A educação está se modernizando, e os professores precisam estar atualizados. As aulas têm sido muito produtivas e os debates nos ajudam a compreender melhor como trabalhar com os alunos de maneira inclusiva. No futuro, quero contribuir para o crescimento da área e incentivar pesquisas sobre educação especial".
O impacto da educação especial inclusiva vai além da sala de aula. Um professor preparado pode ser determinante no desenvolvimento de um aluno com deficiência, auxiliando não apenas no aprendizado, mas também na autoestima e na construção da autonomia.
A professora Michelle Silvestre Cabral reforça essa perspectiva. "A inclusão não é apenas uma adaptação de conteúdo, mas uma mudança estrutural na educação. Nosso objetivo é formar profissionais que compreendam as barreiras pedagógicas e arquitetônicas que ainda existem e saibam como superá-las, promovendo uma educação mais justa e equitativa".
O estudante Sérgio Leandro Vieira, que possui deficiência física e é atleta de paratletismo, viu na licenciatura uma oportunidade de unir sua paixão pelo esporte ao desejo de transformar a educação. "O curso tem sido um grande aprendizado. Ele nos prepara para atuar com responsabilidade e dedicação, garantindo que cada aluno tenha acesso a um ensino de qualidade", relata.