De unidades marcadas pela violência a escolas de referência na educação: os colégios cívico-militares do Paraná se destacam pelo alto desempenho acadêmico e pela mudança positiva na convivência escolar. O modelo, que alia disciplina militar à educação tradicional, tem atraído o interesse de pais e estudantes, gerando filas de espera para matrículas.
No bairro Tatuquara, em Curitiba, o Colégio Estadual Beatriz Faria Ansay se tornou um exemplo dessa transformação. Antes conhecido por problemas de violência e depredação, a unidade agora é considerada um "farol para a comunidade". Segundo o diretor Sandro Mira Júnior, a adoção do modelo cívico-militar foi determinante para essa mudança. "Antes, a escola era noticiada pelos problemas. Hoje, é reconhecida pelo seu compromisso com a educação", afirma.
Desempenho acadêmico e
A melhoria não se reflete apenas no ambiente escolar, mas também no desempenho acadêmico. Segundo a Secretaria de Educação do Paraná, em 2023, os colégios cívico-militares registraram uma nota média de 5,43 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos finais do ensino fundamental e 4,75 no ensino médio, ambas acima da média estadual.
Essa evolução também é evidenciada no Colégio Estadual Beatriz Faria Ansay. "Até 2019, não tínhamos nem nota no Ideb, pois os alunos sequer compareciam à avaliação. Em 2023, conquistamos a melhor nota da nossa região", destaca o diretor.
Desde 2021, o Paraná lidera o ranking do Ideb no país e, em 2023, manteve essa posição com melhora na nota geral. O governador Carlos Massa Ratinho Junior atribui esse avanço a investimentos na educação e à diversificação dos modelos pedagógicos. "Temos escolas tradicionais, técnicas, em tempo integral e cívico-militares. O importante é que todas contam com tecnologia, professores capacitados e estrutura moderna", afirma.
Alta procura
Atualmente, 312 colégios da rede estadual adotam o modelo cívico-militar, reunindo 191 mil alunos. O interesse pelo formato é crescente: só no Colégio Beatriz Faria Ansay, a demanda saltou de 600 para 1,9 mil alunos, com 350 estudantes na fila de espera.
Gabrielly Aleixo, de 17 anos, trocou um colégio distante pelo Beatriz Faria Ansay após a mudança para o modelo cívico-militar. "Antes, minha família evitava essa escola. Agora, ela é uma referência", conta.
Em Campo Largo, o Colégio Estadual Cívico-Militar Primeiro Centenário é outro caso de sucesso. "Os pais fazem fila de madrugada para garantir uma vaga", revela a diretora Roselaine Lachovistz. Com os bons resultados, outras três escolas da cidade aderiram ao modelo em 2023.
Disciplina
A rotina dos colégios cívico-militares inclui formações diárias com hasteamento da bandeira e execução de hinos, além de acompanhamento disciplinar por policiais militares da reserva. Estudantes com bom desempenho recebem certificados e medalhas, estimulando a excelência acadêmica.
Ebanessa Sabim, mãe de um aluno do Colégio Primeiro Centenário, aprova o modelo. "A disciplina e o rigor acadêmico foram um diferencial para meu filho", diz. A estudante Millena Ramos, de 14 anos, reforça que a formação se reflete fora da escola: "Os valores aprendidos aqui são levados para a vida".
Com alta demanda e desempenho superior, os colégios cívico-militares do Paraná seguem como um modelo educacional bem-sucedido, promovendo transformações profundas nas comunidades onde estão inseridos.