A incerteza econômica e desafios estruturais estão levando os empresários da região Oeste do Paraná a uma postura mais cautelosa em 2025. A nova edição da Pesquisa de Opinião do Empresário do Comércio, conduzida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) em parceria com o Sebrae/PR, aponta que apenas 23,5% do empresariado local espera expansão nos negócios. O número representa uma queda significativa em relação à edição anterior da pesquisa, quando a taxa de otimismo era de 41,2%.
Entre os entrevistados, 30,6% apostam na estabilidade do faturamento, enquanto 24,7% projetam um cenário menos favorável. Outros 21,2% ainda não possuem uma avaliação definida sobre o semestre.
Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac PR, Darci Piana, o setor terciário segue sendo um dos principais motores da economia do estado. "Em 2024, conseguimos crescer acima da média nacional em serviços, e o varejo mostrou resiliência frente aos desafios. A expectativa é que essa tendência se mantenha em 2025, impulsionada por um mercado dinâmico e um ambiente de negócios favorável", avalia.
Apesar do cenário de maior cautela, a intenção de investir segue em alta. De acordo com a pesquisa, 33,6% dos empresários planejam ampliar investimentos, principalmente em marketing, equipamentos, modernização de instalações e capacitação de equipe. "Essa movimentação é reflexo da necessidade de adaptação e inovação para garantir competitividade. O Sebrae está pronto para apoiar os empreendedores neste processo", destaca o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta.
Setores em diferentes ritmos
O setor de serviços lidera as projeções otimistas, com 37% dos empresários confiantes na expansão. O bom desempenho acompanha os resultados positivos de 2024, quando o setor cresceu 3,6% no estado, superando a média nacional de 3,1%, segundo dados do IBGE.
No varejo, 26,7% dos entrevistados esperam crescimento, enquanto 30,4% apostam na estabilidade. O turismo, por sua vez, registrou uma queda expressiva nas expectativas: apenas 25,9% projetam aumento no faturamento, em comparação aos 54,7% observados no segundo semestre de 2024. Essa redução era esperada devido à sazonalidade do setor, que tradicionalmente tem maior movimento no fim do ano.
Tamanho das empresas influencia expectativas
As médias e grandes empresas são as mais confiantes, com 36,2% prevendo crescimento em 2025. Microempresas individuais também mostram um grau razoável de otimismo, com 34% dos entrevistados apostando na expansão. Pequenos negócios demonstram mais cautela, com 23,3% projetando crescimento, enquanto os microempreendedores individuais (MEIs) são os mais inseguros, com apenas 15,9% registrando expectativas positivas.
Desafios para 2025
Entre os principais desafios apontados pelos empresários, estão a alta carga tributária e a instabilidade política nacional, que seguem como preocupações centrais para o setor produtivo. A falta de mão de obra qualificada também se destaca como um entrave ao crescimento.
Ainda assim, o mercado de trabalho mostra sinais de estabilidade: 71,7% das empresas pretendem manter ou aumentar o quadro de funcionários ao longo do semestre, demonstrando que, apesar da cautela, há confiança na capacidade de adaptação e resiliência do empresariado da região Oeste.