A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar novamente a taxa Selic, confirmada nesta quarta-feira (29), reacendeu o debate sobre os entraves que mantêm o Brasil entre os países com os juros mais elevados do mundo. Para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, a solução para esse cenário passa por atacar diretamente as causas estruturais que impulsionam a pressão inflacionária e, consequentemente, encarecem o crédito e dificultam investimentos produtivos.
“O ciclo de aumento da Selic tem uma relação direta com o descontrole fiscal, e essa é a raiz do problema que precisamos enfrentar com seriedade”, destaca Vasconcelos. Segundo ele, o descumprimento do arcabouço fiscal eleva continuamente a dívida pública, colocando o país diante de um dilema econômico que compromete o crescimento sustentável.
O impacto dos juros elevados é especialmente sentido pelo setor produtivo, que enfrenta dificuldades crescentes para acessar crédito e investir na modernização e ampliação da capacidade produtiva. “O Brasil está próximo do pleno emprego, o que exige que o crescimento econômico venha da produtividade. No entanto, a atualização tecnológica e a ampliação do parque industrial dependem de acesso a crédito acessível, algo inviável com os atuais patamares de juros”, explica o presidente da Fiep.
Vasconcelos também alerta para os efeitos a longo prazo dessa política monetária, que pode comprometer o desenvolvimento econômico do país. “O recado que esse cenário transmite é que o Brasil não pode crescer. Se não conseguimos converter o aumento do PIB em produtividade e enfrentamos juros altos devido ao desajuste fiscal, a capacidade de investimento produtivo fica seriamente comprometida”, conclui.