O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, em reunião realizada na terça e quarta-feira (28 e 29 de janeiro), elevar a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 13,25% ao ano. A medida, que já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, visa conter a inflação persistente e estabilizar a economia diante de incertezas internas e externas.
A alta recente do dólar e as preocupações com a economia global influenciaram a decisão, conforme destacado pelo comunicado oficial do Copom. Além disso, o Banco Central ressaltou que a inflação no Brasil continua acima da meta, pressionada principalmente pelos preços de alimentos e energia.
O impacto da elevação da Selic divide opiniões. Enquanto setores do mercado financeiro veem a medida como necessária para controlar a inflação, sindicatos de trabalhadores e entidades da indústria criticam a decisão, alegando que juros mais altos dificultam o crescimento econômico e a geração de empregos.
Com essa nova elevação, a Selic atinge o maior patamar desde setembro de 2023, consolidando um ciclo prolongado de aperto monetário. O Banco Central já sinalizou que seguirá monitorando a evolução dos preços e da atividade econômica para definir os próximos passos da política monetária.
A decisão do Copom reforça o compromisso da autoridade monetária com o controle da inflação, mas levanta questionamentos sobre os impactos no consumo e no investimento no país. Nos próximos meses, o comportamento dos preços e a resposta do mercado serão determinantes para as próximas decisões do Banco Central.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para regular a inflação. Ela influencia diretamente os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e investimentos no país. Quando elevada, o crédito fica mais caro, o que reduz o consumo e desacelera a economia. Por outro lado, quando reduzida, incentiva a tomada de crédito e estimula a atividade econômica.
O recente aumento da Selic busca conter a inflação, que segue acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em 2024, o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já acumula alta de 4,83%, ultrapassando o teto da meta estipulada. O Banco Central estima que a inflação possa atingir 5,2% em 2025, o que reforça a necessidade de medidas para contê-la.
O aumento da Selic tem efeitos distintos para diferentes setores da economia. Investidores que aplicam em títulos públicos e em produtos atrelados à Selic são beneficiados, pois a rentabilidade dessas aplicações aumenta. O mesmo ocorre com bancos e grandes instituições financeiras, que costumam lucrar mais com juros elevados.
Por outro lado, trabalhadores, indústrias e comércios sentem o impacto negativo. Com o crédito mais caro, o consumo diminui, afetando setores produtivos e a geração de empregos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a medida, classificando-a como "injustificada e equivocada". Em nota, a entidade afirmou que a decisão apenas eleva os custos para empresas e consumidores, sem necessariamente resolver os desafios estruturais da economia brasileira.
O aumento da Selic gerou reações contundentes de centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. As entidades condenaram a decisão do Banco Central, argumentando que ela prejudica o crescimento econômico e dificulta a geração de empregos. “O aumento dos juros tende a desestimular o investimento e o consumo no país. É mais uma forma de asfixiar os trabalhadores”, declarou a Força Sindical.
Enquanto isso, o Banco Central indicou que a Selic pode continuar subindo, caso a inflação não apresente sinais de redução nos próximos meses. O próximo encontro do Copom, previsto para março, será decisivo para definir os rumos da política monetária no Brasil.
Com o cenário econômico incerto e a inflação acima da meta, o dilema entre controle dos preços e crescimento econômico se intensifica, exigindo medidas equilibradas para garantir estabilidade e desenvolvimento ao país.