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População paranaense se concentrará em grandes centros urbanos até 2050, aponta Ipardes

Projeções revelam tendência de crescimento em 26 cidades e envelhecimento populacional no Paraná

Por: João Livi
17/12/2024 às 13h08
População paranaense se concentrará em grandes centros urbanos até 2050, aponta Ipardes
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A população do Paraná deve passar por transformações significativas nas próximas décadas, concentrando-se em grandes centros urbanos e acompanhando a tendência nacional de envelhecimento. Segundo as novas projeções divulgadas pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) nesta terça-feira (17), 26 cidades abrigarão cerca de 60% dos habitantes do Estado até 2050.

A análise, que leva em conta os 399 municípios paranaenses, indica que apenas as regiões de Cascavel e Maringá continuarão crescendo, mesmo com a redução populacional projetada para o Estado a partir de 2045.

Novos polos urbanos

Atualmente, 22 municípios possuem mais de 100 mil habitantes, conforme dados do Censo 2022, com destaque para:

  • Curitiba, única cidade acima de 1 milhão de habitantes;
  • Londrina, com mais de 500 mil moradores;
  • Maringá, aproximando-se dos 474 mil residentes.

Até 2050, esse número subirá para 26 cidades, com o acréscimo de Pato Branco e Paranavaí à lista. Já municípios como Campo Mourão e Francisco Beltrão ultrapassaram a marca de 100 mil habitantes em 2024, demonstrando crescimento consistente.

No cenário estadual, Cascavel e São José dos Pinhais deverão superar Ponta Grossa em população, com as três cidades ultrapassando 400 mil residentes. A projeção também inclui:

  • Foz do Iguaçu,
  • Fazenda Rio Grande,
  • Colombo,
  • Araucária.

Esses municípios formarão o núcleo dos centros urbanos mais populosos, cada um acima de 200 mil habitantes.

Impacto econômico

De acordo com o IBGE, a população do Paraná atingirá o pico em 2044, com 12,46 milhões de habitantes. A partir de 2045, o número começará a declinar, chegando a 12,40 milhões em 2050. Essa tendência reflete a dinâmica observada no Brasil, onde o ponto de inflexão na curva populacional ocorrerá três anos antes, em 2042.

O secretário estadual do Planejamento, Guto Silva, ressalta a importância dessas projeções para orientar políticas públicas e investimentos futuros.

Esses dados nos fazem refletir sobre as políticas públicas, sobre os investimentos, dando uma orientação de como estará o Paraná nos próximos anos, com destaque para o envelhecimento populacional”, afirmou o secretário.

Ele destacou que a população idosa, com 60 anos ou mais, representará 30% do total em 2050, enquanto a participação de crianças e jovens encolherá para 13,7%.

Será necessário construir menos creches e mais espaços dedicados aos idosos. Haverá um impacto econômico, com a redução da população economicamente ativa para produzir e movimentar a economia”, completou.

Desafiando a tendência

Na contramão do cenário estadual, as regiões intermediárias de Cascavel e Maringá devem manter taxas positivas de crescimento. Até 2050, essas áreas contarão com:

  • 2,51 milhões de habitantes em Cascavel;
  • 2,19 milhões de habitantes em Maringá.

A Região de Curitiba, atualmente com 4,2 milhões de habitantes, continuará crescendo até 2046, com uma leve redução após esse período, mas ainda mantendo 4,44 milhões de residentes em 2050.

Em contraste, as regiões de Londrina, Guarapuava e Ponta Grossa deverão apresentar quedas populacionais no mesmo período.

Municípios 

Entre os destaques de crescimento até 2050, algumas cidades se sobressaem pela velocidade no aumento populacional:

  1. Floresta: Crescimento de 179,29% (de 12.173 para 33.998 habitantes);
  2. Mandaguaçu: 125,93% (de 35.948 para 81.219);
  3. Vitorino: 91,98% (de 10.731 para 20.601);
  4. Sabáudia: 78,65% (de 9.725 para 17.393);
  5. Pontal do Paraná: 76,70% (de 33.891 para 59.884);
  6. Sarandi: 61,02% (de 130.263 para 209.750);
  7. Fazenda Rio Grande: 58,45% (de 165.369 para 262.033).

O diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, ressaltou que esses números são essenciais para o planejamento municipal.

"Com esses dados, os prefeitos terão à disposição informações para orientar políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura”,  destacou Callado.

Novas demandas sociais

A projeção aponta uma mudança estrutural na composição etária da população paranaense até 2050:

  • Jovens de até 14 anos passarão de 19,2% para 13,7%;
  • Idosos com 60 anos ou mais subirão de 17,6% para 29,8%;
  • Idosos acima de 80 anos saltarão de 2,3% para 6,9%.

O superintendente do IBGE no Paraná, Elias Ricardo, explicou que a combinação de menores taxas de natalidade, aumento da longevidade e crises recentes, como Covid-19 e Zika, têm acelerado essa transformação.

Essas mudanças refletem uma tendência mundial que agora se intensifica no Brasil, com impactos diretos nos municípios”, afirmou Elias.

Planejamento para o futuro

Com as projeções do Ipardes, o Paraná se prepara para enfrentar desafios demográficos, econômicos e sociais nas próximas décadas. A concentração populacional nos centros urbanos, o envelhecimento da população e a redução da força de trabalho exigem planejamento estratégico, com foco em infraestrutura, saúde e políticas sociais voltadas para os novos perfis populacionais.

Os dados apresentados fornecem um norte para os gestores públicos, empresas e sociedade, permitindo a construção de um Paraná mais preparado e equilibrado para o futuro.

Confira abaixo os infográficos:

 

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