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Pesquisadora da UEM desenvolve alternativas ecológicas para isopor e plástico, utilizando frutos nativos do Brasil

Inovação com macaúba promete revolucionar mercado sustentável

Por: João Livi
11/12/2024 às 16h14 Atualizada em 11/12/2024 às 16h19
Pesquisadora da UEM desenvolve alternativas ecológicas para isopor e plástico, utilizando frutos nativos do Brasil
Carmen Guedes opera o texturômetro no Laboratório de Desenvolvimento de Novos Produtos, ao lado da professora Mônica Scapim. Foto: UEM

A busca por soluções que aliem tecnologia, sustentabilidade e impacto ambiental positivo está ganhando força, e uma iniciativa da Universidade Estadual de Maringá (UEM) é um exemplo promissor. Carmen Guedes, engenheira de alimentos e pesquisadora da instituição, está à frente de um projeto inovador que utiliza a macaúba (Acrocomia aculeata), uma palmeira nativa, para criar embalagens biodegradáveis capazes de substituir o isopor e os plásticos descartáveis.

"Como a macaúba está sendo usada para reflorestamento, podemos destinar seus frutos para a indústria, substituindo plásticos de uso único, que não são ecológicos", explica Carmen Guedes, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos da UEM. 

 

 

 

 

 

Do fruto à inovação

A pesquisa, conduzida no Laboratório de Desenvolvimento de Novos Produtos da UEM, utiliza a fibra da macaúba para desenvolver embalagens similares às bandejas de isopor. Já a polpa do fruto é a base para sacos plásticos biodegradáveis. As vantagens vão além da simples substituição de materiais: as embalagens se decompõem de forma natural, transformando-se em adubo orgânico que enriquece o solo.

“Além de desaparecer na natureza sem resíduos, essas embalagens se tornam húmus, um fertilizante orgânico com nutrientes essenciais para o solo”, ressalta Carmen.

Outro diferencial do projeto está no conceito de "embalagem ativa". Essas embalagens interagem com os alimentos, retardando a oxidação e prolongando sua vida útil.

"Elas atuam como antioxidantes, prevenindo que o alimento seja degradado pela luz e outros fatores externos", detalha a pesquisadora.

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Sustentabilidade 

O trabalho com a macaúba tem um impacto duplo: promove soluções inovadoras para a indústria de alimentos e agrega valor à planta, que já é usada na recuperação de áreas degradadas no Paraná. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), parceiro do projeto, fornece a matéria-prima utilizada nos estudos.

Com essa iniciativa, Carmen espera que a macaúba deixe de ser vista apenas como uma planta não convencional e passe a ser um recurso amplamente explorado, tanto no reflorestamento quanto na produção de alimentos e embalagens.

“Queremos atrair a atenção da comunidade científica, da indústria e da população para o uso integral dos frutos do Paraná, incentivando sua produção além do reflorestamento”, comenta a pesquisadora. 

Perspectivas futuras

O projeto, que conta com o apoio de instituições como Capes e IDR, atende a seis dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Previsto para ser concluído até o final de dezembro, o estudo é orientado pelas professoras Grasiele Scaramal Madrona e Mônica Scapim, reforçando o papel da academia na criação de soluções práticas para problemas globais.

A pesquisadora também vislumbra novas aplicações para a macaúba no doutorado, planejando explorar as propriedades do fruto exclusivamente nativo do Paraná.

"Nosso principal objetivo é desenvolver produtos que vão além do biodiesel. A macaúba é muito nobre para ser limitada a apenas uma função", conclui Carmen.

Inovação em movimento

A trajetória de Carmen no estudo da macaúba já inclui contribuições significativas, como a colaboração em um projeto que produziu manteiga enriquecida com 40% do fruto, um trabalho realizado por estudantes de graduação da UEM. Essa experiência mostra o potencial do fruto como um recurso versátil e subaproveitado.

 

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