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Inteligência artificial, robótica, sensores e máquinas agrícolas inteligentes deverão ganhar espaço em projetos direcionados à agricultura familiar brasileira. A Embrapa e quatro instituições chinesas firmaram um acordo de cooperação científica e tecnológica que prevê desenvolver, adaptar e testar essas soluções nas condições de produção encontradas no Brasil.
O Memorando de Entendimento envolve a Universidade Agrícola de Nanjing (NAU), a Academia de Ciências Agrícolas de Jiangsu (JAAS), a Sinomach Digital Technology Corporation e a Associação Internacional para a Cooperação Popular (IAPC). A vigência prevista é de cinco anos.
Entre as principais iniciativas está a criação do Centro de Cooperação Brasil-China para Aplicação de Inteligência Artificial. Também estão previstos intercâmbio de pesquisadores e técnicos, capacitações, pesquisas conjuntas e implantação de unidades-piloto de máquinas agrícolas inteligentes no Brasil.
Um dos objetivos é evitar que o avanço tecnológico no campo amplie a diferença existente entre grandes produtores e agricultores de menor porte.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a inclusão digital dos pequenos e médios produtores é um dos desafios estratégicos da agricultura brasileira. A proposta é fazer com que tecnologias que já avançam rapidamente no setor também possam ser utilizadas pela agricultura familiar.
O trabalho não deverá se limitar à importação de equipamentos ou sistemas chineses. A intenção é promover o codesenvolvimento das soluções, avaliando e adaptando as tecnologias às características brasileiras, que incluem diferentes modelos produtivos e seis biomas.
As possibilidades abrangem culturas como milho, soja, arroz, frutas e hortaliças. Entre as tecnologias previstas estão inteligência artificial, internet das coisas (IoT), big data, plataformas digitais, modelos de culturas, máquinas agrícolas inteligentes e equipamentos desenvolvidos para propriedades pequenas e médias.
Uma das frentes será a implantação conjunta de Centros de Serviços de Maquinário Agrícola Inteligente em assentamentos da agricultura familiar. Essas áreas funcionarão como ambientes de demonstração e avaliação das tecnologias em condições reais de produção.
Sensores, dispositivos conectados, bancos de dados e sistemas de inteligência artificial poderão ser utilizados para acompanhar as lavouras, processar informações e auxiliar os agricultores na tomada de decisões.
Durante missão realizada na China, representantes da Embrapa conheceram aplicações de robótica, automação e inteligência artificial que já estão sendo utilizadas na agricultura chinesa.
Entre as tecnologias apresentadas estavam braços robóticos destinados à colheita de morango, tomate, uva e outras frutas. A delegação também conheceu sistemas capazes de reunir informações de diferentes sensores e acompanhar as condições do campo em tempo real.
A pesquisadora Luciana Alvim Santos Romani, da Embrapa Agricultura Digital, explica que o objetivo é promover uma espécie de "tropicalização" dessas tecnologias. Isso significa associar as soluções desenvolvidas no exterior ao conhecimento já produzido no Brasil e adequá-las às condições das propriedades brasileiras.
Entre as possibilidades estão robôs para monitorar plantas, contar frutos e estimar a produção, além de tratores de menor porte que possam atender às necessidades de pequenos e médios produtores.
Parte da metodologia que deverá orientar a parceria com a China já é aplicada pelo projeto Semear Digital. A iniciativa trabalha com dez Distritos Agrotecnológicos em diferentes regiões brasileiras e parte das necessidades identificadas pelos próprios agricultores, associações e cooperativas.
Em vez de escolher primeiro uma tecnologia e procurar onde utilizá-la, o projeto identifica problemas relacionados à produção, gestão, conectividade e capacitação. A partir desse diagnóstico, são avaliadas ferramentas digitais capazes de reduzir custos, aumentar a eficiência e agregar valor.
Há experiências com café no Sudeste, fruticultura no Sul, açaí no Norte, mel e licuri no Nordeste e integração pecuária-floresta no Centro-Oeste.
O acordo Brasil-China também contempla intercâmbio de pesquisadores, técnicos e estudantes de pós-graduação, além de missões técnicas, workshops, seminários, cursos e trabalhos desenvolvidos de maneira remota.
As cooperativas que participarem das áreas-piloto deverão contribuir com a coleta e a gestão das informações geradas durante os projetos.
Outra possibilidade em avaliação é integrar as unidades demonstrativas ao Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) e, posteriormente, replicar as experiências consideradas viáveis em outros assentamentos.
A cooperação coloca a agricultura digital entre as estratégias para ampliar a produtividade e a capacidade de gestão das pequenas e médias propriedades, mas com uma etapa considerada essencial pelo projeto: testar e adaptar cada tecnologia antes de sua disseminação no campo brasileiro.
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