
A inauguração da sede própria do Conselho da Comunidade de Marechal Cândido Rondon representa, para o presidente da entidade, advogado Itamar Dallagnol, um momento histórico de consolidação institucional. A entrega do espaço marca uma nova etapa para o Conselho, que passa a contar com estrutura própria para ampliar atendimentos, fortalecer ações comunitárias e desenvolver políticas voltadas à prevenção da criminalidade.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, Itamar afirmou que presidir o Conselho neste momento é motivo de satisfação, alegria e responsabilidade.
Segundo ele, a conquista é resultado de trabalho coletivo, envolvendo diretoria, colaboradores, sociedade civil, Poder Judiciário, Poder Público Municipal e demais parceiros que contribuíram para a viabilização da obra.
Itamar destacou que a sede própria permitirá ao Conselho da Comunidade se estabilizar e avançar em sua atuação.
Com o novo espaço, a entidade pretende ampliar o atendimento à comunidade, fortalecer ações já existentes e implementar novas frentes voltadas à prevenção da criminalidade.
Para o presidente, a sede representa mais do que uma estrutura física. Ela cria condições para que o Conselho envolva ainda mais a sociedade em ações de responsabilidade, acompanhamento e reinserção social.
A construção da sede exigiu planejamento financeiro e administrativo.
Itamar explicou que todos os recursos investidos são oriundos de penas pecuniárias. Parte dos valores estava vinculada ao Tribunal de Justiça e parte estava na comarca, ligada ao juiz e ao promotor, conforme regras anteriores à Resolução nº 1 de 2014.
Segundo ele, todo o processo foi conduzido por meio de licitações e controles formais.
O presidente lembrou que o projeto da sede vem sendo discutido desde 2016 e 2017.
Na época dos primeiros orçamentos, em 2018, a obra estava estimada em R$ 1,35 milhão. O Conselho possuía os recursos, mas não conseguiu iniciar a construção em razão de questões envolvendo a definição dos terrenos e interesses institucionais de órgãos como Ministério Público e OAB.
Quando a situação foi consolidada, uma primeira licitação foi realizada em 2020, mas não houve interessados.
Após a pandemia, os preços da construção civil aumentaram significativamente.
Itamar relatou que, em 2021, o custo estimado da obra passou para aproximadamente R$ 2,45 milhões, o que inviabilizou o modelo inicial do projeto.
A solução encontrada foi licitar a obra por partes, incluindo mão de obra e materiais em etapas separadas. Com isso, o Conselho assumiu a administração de parte das compras e conseguiu reduzir custos.
Embora os números finais ainda estejam sendo fechados, Itamar informou que a obra está em torno de R$ 1,8 milhão.
Segundo ele, uma construção semelhante, considerando valores atuais de mercado, custaria aproximadamente R$ 2,7 milhões.
Para o presidente, a estratégia adotada permitiu viabilizar a sede com economia significativa e responsabilidade no uso dos recursos.
Durante a inauguração, duas pessoas foram especialmente lembradas: Nelson Belincanta, que dá nome à sede, e o juiz Clairton Mario Spinassi.
Itamar afirmou que ambos foram fundamentais para a história do Conselho da Comunidade em Marechal Cândido Rondon.
Segundo ele, reconhecer essas trajetórias era uma obrigação institucional e moral da entidade.
O presidente destacou que o dr. Clairton Mario Spinassi foi responsável por instituir o Conselho da Comunidade na comarca, seguindo a determinação prevista na Lei de Execução Penal.
Itamar observou que nem todas as comarcas estruturaram seus Conselhos da mesma forma, e que Marechal Cândido Rondon foi uma das que efetivamente consolidaram essa iniciativa.
Além da criação, Clairton também foi apontado como grande incentivador da entidade, desde os primeiros anos até o processo de construção da sede própria.
Itamar afirmou que a obra só foi possível porque Clairton Spinassi destinou e deliberou recursos para a construção da sede, em conjunto com o promotor de Justiça da época.
Segundo ele, o Conselho tem o dever de reconhecer essa contribuição.
Para o presidente, a nova sede é também resultado da visão institucional de quem acreditou na importância da entidade para a execução penal, a ressocialização e a segurança comunitária.
Nelson Belincanta também recebeu reconhecimento especial durante a inauguração.
Itamar lembrou que Nelson assumiu a presidência do Conselho no início dos anos 2000 e se dedicou de corpo e alma à entidade até seu falecimento, em 2015.
O presidente recordou que Nelson atuava voluntariamente, saía de sua propriedade rural para atender demandas do Conselho, acompanhava presos que precisavam trabalhar e realizava ações práticas em favor da entidade.
Segundo Itamar, o sonho de construir uma sede própria já existia durante a gestão de Nelson Belincanta.
Embora a obra não tenha sido possível naquele período, o projeto permaneceu vivo e foi retomado posteriormente.
A decisão de dar o nome de Nelson à sede reconhece sua dedicação e preserva sua memória junto à história do Conselho da Comunidade.
Para Itamar Dallagnol, a inauguração da sede própria representa um marco para o Conselho da Comunidade de Marechal Cândido Rondon.
A nova estrutura consolida uma trajetória construída com voluntariado, apoio institucional e compromisso social.
A partir de agora, a entidade pretende ampliar sua atuação, fortalecer o diálogo com a sociedade e desenvolver políticas voltadas à prevenção da criminalidade, à responsabilização, à ressocialização e ao atendimento das demandas da comunidade.