
Os resultados do Pisa 2025 revelam um cenário preocupante para a educação mundial e mantêm um antigo alerta para o Brasil. Enquanto os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) registraram o pior desempenho médio da série histórica, os estudantes brasileiros permaneceram praticamente estagnados, com resultados semelhantes aos observados há dez anos.
Divulgado nesta terça-feira (8), o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes mede o desempenho de jovens de 15 anos em ciências, leitura e matemática. Mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da edição de 2025. No Brasil, foram avaliados mais de 30 mil jovens.
Depois da queda considerada "sem precedentes" registrada no Pisa 2022, sob impacto da pandemia, a expectativa era de recuperação. Os novos dados, porém, indicam que a perda de aprendizagem não foi revertida em grande parte dos países e sugerem dificuldades mais profundas nos sistemas educacionais.
Entre os países que integram a OCDE desde o início do Pisa, o desempenho médio chegou a 486 pontos em ciências, 466 em leitura e 469 em matemática. Na comparação histórica, as perdas chegam a 17 pontos em ciências, 29 em leitura e 32 em matemática.
A dimensão da queda é relevante porque, segundo os parâmetros utilizados na análise do Pisa, uma diferença de aproximadamente 20 pontos corresponde a cerca de um ano de aprendizagem. Dessa forma, em matemática e leitura, a perda acumulada se aproxima de um ano e meio de aprendizagem em relação aos resultados registrados há duas décadas.
O percentual de estudantes dos países da OCDE com desempenho abaixo do esperado simultaneamente nas três áreas também aumentou. Passou de 25% em 2022 para 29% em 2025.
No Brasil, o problema assume outra característica. Em vez de uma forte deterioração recente, os números revelam uma prolongada estagnação em patamares baixos.
Em ciências, a média brasileira chegou a 409 pontos, diante de 401 registrados em 2015. Em leitura, passou de 407 para 408 pontos no mesmo intervalo. Em matemática, permaneceu exatamente em 377 pontos.
O quadro se torna mais evidente quando analisado o percentual de alunos que não alcança o nível considerado adequado. No Brasil, 43,8% dos estudantes apresentam desempenho abaixo do esperado simultaneamente nas três áreas avaliadas. Entre os países da OCDE, são 29%.
O maior desafio brasileiro está em matemática. O país ficou na 71ª colocação entre as nações e economias avaliadas, e 72% dos estudantes brasileiros apresentaram desempenho abaixo do patamar esperado. Na OCDE, esse percentual é de 35%.
Na prática, estudantes nesse nível podem apresentar dificuldades para interpretar situações matemáticas relativamente simples presentes no cotidiano, como comparar distâncias entre trajetos ou realizar conversões de preços.
O problema também aparece nas demais áreas. Em ciências, 52% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível esperado, diante de 26% na OCDE. Em leitura, são 51% no Brasil, contra 31% entre os países da organização.
Apesar da estagnação recente, o relatório aponta que, numa perspectiva de duas décadas, o Brasil conseguiu reduzir parte da distância em relação aos países mais desenvolvidos ao mesmo tempo em que ampliou o acesso de crianças e adolescentes à escola.
O Pisa 2025 também chama atenção para uma dificuldade que ganha relevância diante da expansão da inteligência artificial. Houve redução, em diversos países, no desempenho em tarefas que exigem avaliação de informações, reflexão crítica, integração de evidências e leitura cuidadosa.
O relatório identifica ainda crescimento de comportamentos associados à "leitura apressada", caracterizada por respostas rápidas e incorretas. A deterioração da compreensão leitora é apontada como um problema transversal, uma vez que a capacidade de interpretar adequadamente textos interfere também na resolução de problemas matemáticos e na compreensão de conteúdos científicos.
Além das avaliações tradicionais de ciências, leitura e matemática, o Pisa 2025 analisou a capacidade dos estudantes de resolver problemas com ferramentas computacionais. Os resultados reforçam o debate sobre um desafio que ultrapassa o acesso à tecnologia: preparar os jovens para interpretar informações, estabelecer relações, avaliar evidências e utilizar conhecimento de forma crítica em um ambiente cada vez mais digital.