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Embrapa orienta produtores a se prepararem para os efeitos do El Niño no Sul

Nota técnica reúne recomendações para reduzir perdas na agropecuária, com atenção ao excesso de chuva, doenças nas lavouras e eventos climáticos extremos

Por: João Livi Fonte: Assessoria
14/07/2026 às 11h09
Embrapa orienta produtores a se prepararem para os efeitos do El Niño no Sul
Nota técnica da Embrapa orienta produtores da Região Sul a adotarem medidas preventivas para reduzir impactos do El Niño na agropecuária.

Com o El Niño ganhando força e previsão de permanência até o início de 2027, a Embrapa publicou uma nota técnica para ajudar produtores rurais da Região Sul a se anteciparem aos possíveis impactos do fenômeno. A orientação central é simples, mas decisiva: planejar agora para reduzir prejuízos depois.

O documento foi elaborado por sete unidades da Embrapa: Clima Temperado, Florestas, Pecuária Sul, Soja, Suínos e Aves, Trigo e Uva e Vinho. O material reúne recomendações para diferentes culturas e sistemas de produção, levando em conta que os efeitos do El Niño variam conforme a atividade, a região e o manejo adotado.

Risco maior de chuva e doenças

Segundo projeções climáticas, há probabilidade de 97% a 99% de permanência do El Niño até o início de 2027. A NOAA, agência norte-americana de monitoramento oceânico e atmosférico, também estima em 63% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Para o Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas, maior nebulosidade e temperaturas acima da média durante o inverno. Esse cenário pode favorecer doenças nas lavouras, dificultar operações de campo, aumentar riscos de erosão, afetar drenagem e exigir mais atenção no planejamento da safra.

Prevenir antes de perder

O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, lembra que o conhecimento sobre o El Niño avançou muito nas últimas décadas. Para ele, o desafio já não é apenas prever o fenômeno, mas transformar essa informação em decisões práticas no campo.

Entre as recomendações gerais estão seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), acompanhar previsões de órgãos oficiais, planejar investimentos com cautela, ajustar expectativas de produtividade e considerar o seguro rural como ferramenta de proteção.

A nota também sugere que produtores evitem decisões baseadas em cenários de produtividade excepcional. Em anos de maior risco climático, o uso de insumos e os investimentos precisam estar alinhados ao potencial real das lavouras.

Orientações por atividade

Para cereais de inverno, como trigo, cevada e aveia, a atenção deve se voltar ao manejo de doenças, adubação e colheita. Em soja, milho e arroz irrigado, as estratégias incluem melhorar a drenagem, proteger o solo contra erosão e reforçar o monitoramento fitossanitário.

Na fruticultura, os cuidados envolvem drenagem de pomares, manejo sanitário, conservação do solo e planejamento das operações. Culturas como videira, macieira, pessegueiro, oliveira e nogueira-pecã estão entre as mais sensíveis ao excesso de chuva, ventos fortes, granizo e encharcamento.

Informação no tempo certo

A Embrapa também destaca a importância de levar essas orientações até técnicos e produtores, por meio de capacitações, conteúdos digitais, aplicativos e materiais de fácil acesso.

A mensagem final da nota é de alerta, mas não de alarme. O El Niño muda o padrão de risco, mas seus impactos podem ser reduzidos quando previsão climática, manejo adequado e planejamento caminham juntos.

 

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